mv bill em entrevista antiga (o site tá dizendo que é de 31/jan/06 mas tá louco, é de bem antes) à rock press, porém sempre atual:
"Você acha que este racismo hipócrita que existe no Brasil é pior que o norte-americano, que é mais declarado?
Qualquer racismo é ruim. De qualquer forma de racismo eu discordo. O racismo brasileiro é mais covarde porque você dorme com o inimigo, aperta a mão do inimigo, trabalha para o inimigo, é sócio do inimigo. Aqui é o racismo velado, onde a facada vem por trás. Você acaba sendo nocauteado sem saber que o inimigo está ao seu lado. Mas é um bagulho foda porque têm muitos brasileiros que são pretos e só descobrem isto quando vão aos Estados Unidos. Aqui a discriminação é por tom de pele. Quanto mais pigmentação, quanto mais escuro, maior é a discriminação em cima de você. Isso faz com que o outro, de pele mais clara, se ache superior e assim vai.
O sistema de racismo dentro do Brasil é muito inteligente a ponto dos pretos aceitarem facilmente índio louro na novela, as emissoras adorando passar novela de época mostrando os pretos escravos. Eles fizeram o racismo de uma forma tão inteligente que a nova novela da Globo, que começou esta semana, "Porto dos Desejos" ou "Porto dos Milagres" ou "Porto da Puta-Que-Pariu", sei lá, ela se passa na Bahia, a Bahia é 95% de preto e no elenco principal não tem um preto! E os pretos aceitam isso pacificamente, cara. Sinal de que a gente foi adestrado de uma forma, maluco, puta-que-pariu, mané, bem feita pra caralho. Disso tudo que aconteceu comigo na televisão durante este período do clipe, o que mais me deixou decepcionado foi o movimento negro. Porque eu estava falando que 90% dos soldados do tráfico são crianças. Destes 90%, noventa e cinco são pretos. O movimento negro não se pronunciou. Nada. O movimento negro ficou neutro."
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assisti ontem o minha nada mole vida porque eu gosto do tom do alexandre machado e da fernanda young e de mesmice. a maria clara gueiros é foda mas por que que o roteiro me soa como pastiche de personagem criado pra fernanda torres? a fernanda torres tem aquela característica de fazer as coisas mais non-sense possíveis e fazer a gente rolar de rir, a maria clara gueiros tem uma verve beeeeeeeeem mais contida & blasé & todas aquelas coisas mais que o papel não tá deixando ela exercer por (mesmo que não-intencionalmente) tentar manter o mesmo beat da vani em cena, é pena.
mas eis que no (mal)dito humor "inteligente" a questão lésbica tá sendo representada dum jeito bacana. CLARO que o mote é que 'todas as mulheres do mundo tão "virando" lésbicas' e tudo mais (é humorístico, catso), mas eu acho bem legal as coisas serem mostradas e de forma leve, eu gostei.
a produtora do jorge horácio (luis fernando guimarães) é sapa, e vive contraponteando as coisas com a "opção" (sic) dela (tipo ontem "por isso minha opção, as meninas não são grande coisa, mas dá pra ir levando" (rs.. adoro)) e a recepcionista do hotel do jorge horácio que naquelas tramas loucas da dupla de roteiristas disse pro filho dele (quando ele a procurou de madrugada porque tinha uma mulher de camisola na banheira dele) disse que era normal ter pesadelos naquela idade, ela mesmo "tinha pesadelos com as professoras de camisola, ... não, com professores, .. não, é, não de camisola, etc", e aí o menino com expressão inflexível pergunta se ela quer o telefone da psicóloga dele e ela "que idade que ela tem mesmo?" (rs..).
a globo tá tentando aos poucos, com os humorísticos, dar um gás na questão. na grande família o beiçola esses tempos se travestiu, e foi um episódio bem legal porque a dona nenê e a marilda falavam pra ele "beiçola, tu é gay. tu pode não saber, mas tu é gay, oras! e que problema tem isso?". bem legal, pro público que atinge o programa.
no a diarista a ipanema, colega da marinete, entrou na série supermachona (e continua até hoje), e uma das primeiras coisas questionadas foi a 'feminilidade' dela (anti-maçaranduba), o que foi bem legal, porque ela é hétero mas tem uma postura supermasculinizada: como diz a ana carolina o povo fala, o povo fala mesmo, né? até que alguém puxe prum cantinho e digue "vem cá, cuéra: será que é isso mesmo que vc tá pensando?".
bom.
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ontem no programa do leão de noite na band a tammy miranda entrou na máquina da verdade e durante horas e horas falou de como é o lesbian way empedregulhado of life dela e tal e conseguiu dar uma boa resposta de ibope pro programa no horário. interessante ver a menina butch, bofinho, falando da vida dela com a descouraça de femme fatale até (ou inclusive?) por ser filha de um 'símbolo sexual' na acepção mais difundida do termo.
em tv fechada já rola (alguma) coisa sobre o oscilar da régua gênero macho-fêmea (e numa analogia de buteco a sua genitália de nascimento é o aparelho celular e o gênero a operadora que vc vai escolher, capiche mon cher?), o legal é que esse "conceito" se dissemine pelo veículo mais fácil, a tevê aberta, mas não pra quem considera se trans(itante-oscilante-de)gender obter menor rechaço ou linchamento moral quando tendo que conviver no meio dito "normal" e sim pra que as pessoas que se acham "normais" comecem a avaliar o que mesmo que agride tanto assim elas em alguém que é diferente de si...
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"Luz guardava más lembranças do pai, que pouco parava em casa, em Jacarépaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, devido às freqüentes viagens de vendas pela Marinha Mercante. Quase sempre voltava bêbado e violento com a mulher e os cinco filhos. As brigas invariavelmente tinham uma causa: a implicância com o caçula, por causa da pele mais clara. O pai achava que não era seu filho. Batia na criança, tentava arrancar seus cabelos "não tão crespos" quanto os dele, A mãe, quando o socorria, também era surrada com extrema violência. Às vezes o pai parecia enlouquecido.
Numa noite de Páscoa, tentou explodir a família. Prendeu todos na cozinha e colocou fogo na mangueira do bujão de gás. Assustados com as labaredas, mulher e filhos reagiram a socos, pontapés, cadeiradas. Quase mataram o pai. A surra acabou com a interferência dos vizinhos, que o levaram para o hospital, onde ficou internado durante dois meses. A mãe, empregada doméstica, aproveitou a internação do marido para se separar dele. Luz, com seis anos, foi morar com a avó num barraco de três cômodos que abrigava oito filhos e netos. Livrou-se do pai, mas continuou sofrendo agressões dos homens.
Uma noite Luz acordou com o peso do tio Benê sobre seu corpo de menina. Ele a tinha agredido de forma tão violenta que desmaiara por alguns minutos. Quando retornou à consciência, sentia dores e desespero. Tinha nove anos de idade, inocente para compreender o motivo da dor e do sangue entre as pernas, mas já madura o suficiente para saber que significavam maldade e covardia. Razões fortes o bastante para querer evitar para sempre a companhia de tios, sobrinhos, primos, qualquer parente que pudesse atacá-la novamente. A resposta de Luz para o estupro foi o silêncio.
Antes do amanhecer fugiu para não encarar o descaso da avó, que nunca soube protegê-la. Saiu de casa sem avisar ninguém, calada, só com a roupa do corpo e uma boneca. " (luz, ex-menina de rua, melhor amiga e confidente de juliano vp)
[ abusado - caco barcellos - p.29 ]
eu tenho devorado o polêmico abusado, de caco barcellos (polêmico porque foi especulado que foi usado como documento 'contra' marcinho vp (no livro juliano vp) e causador da morte, antiético, pois, da parte do caco (o que ele redargue com a autorização por parte de vp para publicar as histórias e que ele compilou nada mais do que a imprensa teria acesso)) e tenho achado bem bom. como fala numa passagem do livro, os 'pobres' sabem muito mais do que se passa à sua volta do que os 'ricos', porque o cara que é porteiro do teu prédio, faxineira da tua casa, sabem como é a vida da burguesia, já a burguesia não sabe, não quer saber e tem raiva de quem sabe qquer coisa que diga respeito às castas "inferiores".