30.4.07
no céu, no mar, na terra!
25.4.07
enquanto fróide explica as coisa o diabo fica dando os toque
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eu sou o pastor publicitário e eu vou te convencer que te faltam MILHÕES de coisas para que tu te sintas feliz & completo.
TE falta, ÉS infeliz, e EU estou te oferecendo agora algo, irmão, que te proporcionará a COMUNHÃO com essa FELICIDADE.
e tu comprá-la-á, regozijantemente, de mim, com o suor do teu trabalho, o trabalho árduo no qual trocas as horas que a ti foram destinadas nesta existência por DINHEIRO.
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fui a última a apresentar as considerações sobre a pesquisa da semana passada na biblioteca e além de perceber (tarde) que a pesquisa não era sobre kant porra nenhuma mas sim sobre descartes ainda “apimentei” a discussão outrora seriíssima com os detalhes pessoais do filósofo.
sempre a milhas e milhas do que é considerado oficialmente sério.
ma pleasure, denise ritta a seu dispor!
porém isto abriu uma discussão na aula de como seria a vida dos cabeções pensantes tempos afora. esses dias comentava na aula com meu grupo sobre o caso do físico kepler (johannes kepler - 1571-1630) o livro do marcelo gleiser ‘a dança do universo’. o cara foi megarevolucionario dos conceitos da física, perseguido pela igr
segundo gleiser, kepler casou-se aos 26 anos (“cedendo à constante pressão de seus amigos”) com a filha de um comerciante que aos 22 anos já tinha sido viúva 2 vezes, e sobre ela kepler falava “sua mente era limitada, e seu corpo, obeso; seu semblante era estúpido, deprimido, solitário e melancólico”.
“em defesa de frau barbara, imagino que kepler não devia ser uma pessoa muito agradável de se conviver, ou por quem fosse fácil sentir atração física. fora suas horrendas feridas e vermes nos dedos, parece que ele tomou apenas um banho em toda sua vida. e, mesmo assim, ele reclamou que o banho o deixou doente por dias”, fala gleiser. (pág. 119).
tá, e me pergunta o que foi mesmo que o kepler revolucionou? não faço a menor. eu consultei no livro agora pra transcrever aqui, mas pro pessoal em aula eu falei que tinha um físico cabeção que tinha tomado só um banho na vida inteira e foi isso que me marcou.
e isso só pelo fato de eu ter quedas vertiginosas pela alienação? não sei. eu sei que quando o banho que me é uma coisa ranqueada dentro das obrigações de ser civilizado que (me fizeram ser) sou é subvertido por alguém que realmente modificou o mundo de alguma forma, então isso me chama a atenção.
enquanto eu sei que kant tinha problemas amorosos terríveis, ou que einstein se dava mal pra caralho na matemática engessada da escola, neste momento eu desmistifico UM MONTE os gênios e passo a ser mais generosa comigo mesma.
porque nós, os civilizadérrimos, poros escovados e esfoliados, pêlos raspados ou aparados geometricamente dependendo do lugar do corpo, cascos cortados e torsos flácidos dentro de nossos penhoares de seda varamos madrugada adentro nas nossas tevês, fazendo samba & amor e auto-anestesiando-nos com nossa cervejinha porque afinal ninguém é de ferro conseguimos com isto a façanha de, em comunhão com o “AGRADÁVEL”, mudar em nós pouca coisa mais que uma roupa recém comprada, ou a rigidez da coxa na academia ou um que outro parceiro de sexo ao decorrer de toda a vida. [e morrer com a boca arreganhada, chEia de dentes todos devidamente pagos, alvíssimos e parelhíssimos].
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ainda em propaganda, em são paulo, aquela campeã de botões-liga em todos os aparelhos receptores do nosso imenso brasil-sil-sil, aquela que invadindo nossa tevê literalmente aberta em todos os recônditos do país deixa-nos a par de como é o cotidiano no hipotético mundo civilizado, foi proibida a colocação de placas nas ruas visando a despoluição visual.
eu, cá de meu mocho de pau assentado sobre a lajota fixada em terras a mil milhas do acontecido, nuns minutos pré-séstia após o almoço, durante o jornal hoje, penso em concordar com a atitude do prefeito de terras tão longínquas: EXTIRPAR do redor das pessoas a OFERTA de coisas faz com que elas o quê?
então, em são paulo agora, pelo menos na rua vc será PRESERVADO de DESEJAR as coisas goela seca abaixo, bela iniciativa.
o mesmo (a anulação da nossa capacidade de desejar) que ocorreria com a soldagem do botão de tevês no botão “desliga”, só que isto é empresa por demais impossível de resolver, tá eu sei. o demônio dos desejos sempre acha uma brecha pra ser invocado,
desliguei(?) a tevê e fui ligar a minha sucursal do mundo exterior nas terras de morfeu, minha ilha de edição do subconsciente, na séstia de alguns minutos pós-almoço, numa cidade muito longe, muito longe daqui, que tem problemas que (não) parecem os problemas daqui....
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professora explicando o conceito de bondade:
“- por exemplo: não adianta eu, que super religiosa e tal, ir na missa todo SANTO domingo e chegar em casa e maltratar minha empregada”
concordo, ssôra. não é porque és um ser abençoado que dispõe de grana para pagar para que alguém faça um serviço pra ti que deverás maltratar teu irmão pobre.
a bondade no universo sofre exatamente esta tensão: sêde bondoso com aqueles que estão sob teus sagrados cascos! (já diria naomi).
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rola uma implicância de certo professor(a) com o uso de bonés por guris nas aulas.
então pergunta EM QUAL AULA que eu, vaginada de certidão de nascimento escalavrada em cartório já há 3 décadas, vou de... BONÉ?
bingo, né.?
ontem à hora do intervalo, após ter ido no banheiro trocar meu o.b. super (e as aparências SEEEMPRE enganando a audiência, ai ai...), ao voltar pra sala de aula topei-me com o professor(a) que implica com o boné.
e eu, no meu melhor casual tuesday bofe style school de boné (detalhe: do banrisul, não ao neoliberalismo (tão querendo privatizar, papo pra outra hora)), calça díns clara e fundilhuda, minha penalty society e moletom preto (ou o famoso "quero te pegar no colo te deitar no solo e te fazer mulher"), ao passar por ele(a) percebi (AAAAHH!! EU VI, EU VI!) o scanner geral e completo decimabaixo em minha pessoa e o risinho sardônico da criatura cuja metodologia de ensino é do tempo em que OS GURIS não usavam boné em aula..!....
quase bati, na cruzada, com a cabeça no balão concretíssimo que fervia da cabeça dele(a) com a inscrição “TRAVECOOO, NA FACOOOS!”.
ugh. mas sprinkler-me só a 270° da vulva, plís.
24.4.07
será?
confirmações orkutísticas
por isso, talvez, que os relacionamentos que se sustentam por tempos maiores são aqueles nos quais a gente pode ser casado ou com o pai ou com a mãe da gente.
(e isso significa que blá blá blá blá....)
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assim como música. eu ouço música profissionalmente, sou faminta por novidade, por organizar virginiana e compulsivamente nas minhas prateleiras mentais o maior número de registros de determinado artista, então pra mim é muito usual parar para ouvir álbuns novos. mas como falávamos no podcast, rádio popular é foda. porque rádio é companhia, e no momento que vc ouve uma música que é conhecida e que dá para cantarolar, naquele momento então vc sente que existe ALGO no universo em comum contigo. poucos dos que cruzam o cotidiano todo caótico gostam de ser “provocados” por algum som que não conheça. (no fim é mais ou menos como toda a grade de programação da tevê e rádio: nada “instiga” a audiência ao novo)
já que a vida não oferece segurança nenhuma, que pelo menos a trilha sonora por mais medíocre que soe seja conhecida, né?
PODCAST 140
20.4.07
(...)
de noite, ou de tarde, ou na hora em que apagou depois de chegar exausta da academia porque DECIDIU-SE a movimentar a própria vida, a começar por deixar de abandonar-se aos calmantes todos que a fazem ficar com a cara inchada como que picada por abelha e a memória péssima e o olhar bovino e também a meter cinco quilos a mais de anilha em cada aparelho da academia pra poder fechar os olhos por alguns segundos em público em sofrimento com a conivência e a permissão alheia, então de tarde (foi) pós-academia com +5kg/aparelho, sonhou que era colega de aula da cláudia rodrigues e que ela apresentou em classe um trabalho com uma das vozes de seus personagens e ela achara que, na hora, no sonho, fosse uma brincadeira, porém começou a atinar-se se na verdade não se tratava de uma porrada de luva de boxe de pelica de profissionalismo nas suas fuças patéticas, e bem..
acordou da tarde, e foi pra esteira, e pegou suco de uva num copo de vinho, e foi pro computador, e ficou resgatando o dia anterior onde teve a apresentação dum maldito trabalho que talvez fosse a correspondência da faxina mental com ajuda da cláudia rodrigues e ficou lembrando que no trabalho, em frente ao quadro branco em frente ao público, não tinha a menor idéia de onde pingentar as mãos, as mãos que naquela hora de silêncio e observação alheia lhe pareciam apêndices gigantescos (alicates de siri), não tinha a menor idéia, na hora, de solucionar o O-QUE-FAZER-COM-AS-MÃOS meio como quando pede de vez em quando para que lhe batam uma siririca só pra que ela fique observando mas logo muitíssimo em seguida acaba emputecida por não saber onde pousar as grosseiras mãos durante, e ainda...
ainda o inchaço por todo o cinza da falta de sono, pelo vermelho do banco, o âmbar do úisque, o amarelo da cerveja, o amarelo da gordura da comida toda errada, e a não-sintonia com a juventude de propaganda de revista da mtv na platéia, os olhos vermelhos e a cara inchada vermelha e a falta de ar do calor e as mãos exiladas temporariamente pras costas e um naco de cutícula do dedão da mão direita que se espigara justo no meio da apresentação incomodando mas um crime hediondo em primeiríssimo grau seria levá-lo à boca justo ali no zênite do holofote daquela arena repleta de polegares por nada cedendo da horizontalidade tão insegura e precária à força da gravidade, ribombava-lhe à retina darwin em proteção de tela transparente frente àquela gente toda, darwin que dizia...
que sobrevivem SÓ os mais fortes (caralho.)
, e que ela inchada por todo o calmante, e o sono mal-dormido, e o uísque com gordura e com cerveja, e todos os anos a mais que todos presentes pensou que aquele instante, como muitos outros inacreditáveis pelos quais passara (como naquela vez em que só notara que o negão não tinha os quatro dentes da frente depois que sentiu alguma resposta faltando à sua língua no meio do empenho do beijo embalado por roxette num baile de beira de estrada do qual voltou toda vomitada pra dentro do ônibus e da viagem de hora e tanto às cinco, seis da matina de uns anos atrás, como lembrava dia desses), mas que de nada lhe serviam naquela hora, talvez também esse, no futuro,
[ contratodos prosa ]
17.4.07
a gente somos inútil & sexo: homenagem ao ultraje numa terça-feira à noite
16.4.07
VANERA UNDERGROUND - só por enquanto,babe!
de qualquer forma rolam uns clipes. eu adorei o grupo, como falei aqui é a mulherada pegando nos instrumentos e levando um som num meio (qual não?) onde a predominância ainda é masculina.
o show é uma loucura, e que o só gurias vai bem bem lonjão rapidinho, ah, disso vocês não tenham a menor sombra de dúvida.
a gente agradece demais a receptividade da banda (que prefere ser “classificada”, pra quem gosta de sempre ter que “classificar” tudo, como tchê-pop) e tamos loucas pra receber o show de lançamento do disco, agora em meados de junho, cá em pm.
foi mór legal, e o melhor é que em junho tem mais!
gabrielito na pilha!
programa consciência negra zumbi no SINTONIA DA CLUBE devidamente youtubado
então estão cá em três partes o debate ocorrido no sintonia da clube, da rejane porto, na sexta-feira santa, com o grupo jovem de consciência negra zumbi.
bem legal, bem de a gente movimentar as cabeças engessadas.
(hm, esses dias na aula houve uma polêmica sobre o tratamento dado a dorival do curta o dia em que dorival encarou a guarda, de 86, porque alguns não consideravam ofensa o prisioneiro ser chamado de negão.. e eu abro minha boca de pandora pra virar helô helê enérgica e enéica no meio do povo? não posso,minha gente. já ando exaurida e tomando vitaminas pra fortalecer o celebrete...)
(ah, sim: é absurdo não associar com preconceito a forma de chamar o dorival, assistam e CONCORDEM).
jogando música & fazendo moda
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12.4.07
superior completo?
11.4.07
banda SÓ GURIAS em pm
se não conseguir, de qualquer forma, eu vou na festa e conto depois. estou bem excitada pra conferir porque é MAIS UM campo tomado eminentemente por bandas masculinas em que mulheres mostram que sabem (e SABEM, vou postar logo logo uma música delas) fazer muito bem.
a música gaúcha é mais que mega machista. mulher é, NO MÁXIMO, ESTOURANDO, declamadora ou cantora de música nativista (que é legal mas é chaaaaaatooo.... muahrrr).
mulher animando baile? chinelagem!
a outra única representante de música de fandango no rs é a cantora berenice azambuja.
então é BAITA legal o grupo das gurias. vai ser muito foda, e eu vou dar um jeito de reverberar isso por aqui.
quem puder, vá mesmo, vou tar por lá.
requiem for a dream.
é do perceber-se aninhando uma criaturinha totalmente indefesa e dependente de vc, seguramente, um dos sentidos da vida.
alguém pra quem vc vai prover comida, vai educar, orientar, direcionar, alguém que vc protegerá pra quem não sofra, alguém que, pelo menos nos primeiros passos, terá vc como ícone, como guia, como amor.
saí de casa muito cedo pra cair em república, em divisão de cafofo, em casamento. aos 17.
depois, o acidente.
saída então do período inicial do acidente no qual tive que voltar pra casa dos meus pais pra ser cuidada, a minha volta pro mundo com a minha casa.
à minha PRIMEIRA comunicação de que tava me mudando, minha irmã de PRONTO me disse que tinha um presentão pra mim: um gatinho recém parido da mônica.
eu falei que não. nunca tive bicho de estimação exclusivamente meu. um bicho de estimação na minha casa.
um dia, já feita a mudança, tava vendo de tarde uma comédia romântica com a uma thurman. na história, uma era vizinha de uma veterinária que tinha um programa de rádio no qual dava dicas de como cuidar de animais. um fotógrafo bonitão (pelo qual a veterinária se apaixona e que é fã do seu programa mas não lhe conhece: daí que entra a uma (que é uma modelo burra, vizinha da doutora), mas que é, nos critérios desta, mais bonita que ela pra se apresentar ao tal cara) contrata um cachorrão pruma sessão de fotos. e quando o cachorro começa a dar problemas no estúdio o bonitão liga pra veterinária pra saber o que fazer pra acalmar o bicho. no final da ligação, ela pergunta pra ele por que este não adota o cachorro? ele responde que é “muita responsabilidade criar um animal”, no que ela rebate “e que mal tem ter RES-PON-SA-BI-LI-DA-DE?”
plim!
estalo na minha cabeça.!
na hora, pensei mesmo que qual mal teria ter responsabilidade (eu que tão frágil e tão pisando em ovos nesta teia toda frágil na qual tá apoiada minha vida atual) e liguei pra mana pedindo o CHE. o gatinho amarelinho se chamaria che guevara ritta farias da silva sauro júnior e seria meu companheirinho.
chegado o che, toda a rotina MINHA alterada pela rotininha dele (trocar a areia com cocô, comprar ração, trocar água, remédio pra vermes e pulga, banho, dar leite). e o meu pequeno grande revolucionário me acompanhando, rente aos pés, por todos os movimentos que eu fizesse. o meu pequeno grandezinho que fez eu inventar uma vozinha específica pra ele, que fazia a gente cantar junto as músicas desafinadamente com a voz de gatinho.
o che, vesgo como eu, grande de estrutura mas com a próspera barriguinha de bon vivant que nem eu, ruivo que nem eu, histérico e compulsivo e megapreguiçoso que nem eu, se tornou a personagem principal da minha casa.
para os momentos em que se empoleirava na estante de livro e me espiava só pra me ver braba e depois cair em disparada pratrás da geladeira.
para desmaiar mais que lânguido de tarde na minha cama, pra afiar as unhas nas minhas caixas e se enosar no macarrão de fios dos meus equipamentos. pra me esperar na porta por dentro e por fora.
pra se apavorar acuado na parreira do pátio por um gatão preto que o rondava na vizinhança esperando que eu viesse e o salvasse, e prum dia de não ter conseguido salvá-lo a tunda ter sido tão grande que até se cagar o chezinho se cagou.
pra chegar em casa todo retamado de óleo que alguém virou nele.
pra se assentar toooda a tarde na cadeira da cabeceira oeste da minha mesa vermelho-psicodélica.
pra hipnotizar as moscas com um trinado estranhíssimo.
pra parar TUDO o que estivesse fazendo ou não-fazendo e se estabacar em direção ao banheiro ASSIM que qualquer pessoa entrasse lá. a gente já fazia por gosto (a ração dele ficava por lá) só pra ver. era entrar no banheiro, lá tava ele se esfregando nas pernas de quem estivesse no vaso, pedido cafuné, comendo um pouquinho de ração, ligando o radinho, infinito, infinito, infinito...
para sestear abraçado comigo. pra eu poder abraçar e dar beijo na cabeça. pra eu dizer que eu amava ele por demais, pra tudo isso.
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sábado passado, na semana em que dei um dos tão bissextos banhinhos nele, o che estava com fogo no rabo. saímos pra tentar pegar uma sinuca (que tava fechada) e ele saiu na nossa cola. pinheiro se anda a pé por tudo que é lugar.
saindo para o filhos da lua, à noite, às 2 da madrugada, ele saiu na nossa cola de novo. dei uma palmada e seguimos em frente, sempre a pé.
mas durante o domingo de páscoa, nada do che.
e durante o domingo de páscoa à tarde, nada do che.
são longuinho, são longuinho, 50 pulinhos.
e durante a noite do domingo de páscoa, nada do che.
são longuinho, 100 pulinhos e um aperto na goela.
e durante segunda, terça
hoje é quarta-feira. a rejane fez uma campanha na rádio e até agora nada. um dos meus vizinhos viu o che na frente da festa, aquela noite.
alguém pegou.
um gato foda de lindo, bem cuidado, novinho.
um gato que era o meu cachorro que me pulava na altura da coxa quando tava feliz (e era TÃO raro não tar felizinho!). que pulava ALTO de entusiasmo, o che que era entusiasmado que nem eu.
é uma desgraça. eu estou péssima. parece uma confirmação de que eu não posso me entregar pra nada mesmo que aquilo vai ser raptado do nada da minha mão DE REPENTE, SEM CONSENTIMENTO. viver de lembrança? o caceta, que é insuportável preencher o espaço que o che me deixou vazio na casa e na vida. há quem diga que é dramaticidade demais, mas na primeira PRIMEIRA MESMO vez que eu fico 24 horas por dia na volta de casa com a companhia e o amor de um bichinho isso me é furtado. porque, comigo, ele não poderia nunca morrer de velho, é óbvio.
saudade é limpar os restos do filho que já morreu, ah, que merda de sacanagem é tudo isso deus?
10.4.07
dia 10 é DEZ.
tantas emoções, já diria nuestro gipsy KING.
adiós,
sarjeta
buanamesauvou
não quero
gorjeta
faço tudo por amor.
jesus negão
o intervalo do programa de fofocas do leão lobo é incrivelmente (mal?) direcionado. as propagandas que povoam as pausas dos blocos da venda da vida dos artistas que a gente adora e nos quais nos miramos vendem produtos destinados a mulheres que ou ficam ou trabalham em casa à tarde.
do vagisil (aquele nosso velho conhecido deusinho ex machina invocado toda a vez que a periquita não corresponde aos desejos do corpo (ah ma éé meermoo?)) há uma linha gigante e divertidíssima de produtos. ok, não é da mulher desiludida a totalidade do target esperado pela vagisil inc não. também as senhoras já entradas em anos cobiçam excitadas o produtinho de ph não-agressivo pela promessa de ter novamente seu lugar ao soooool espremidinho e gemedouro de um belo e salutar orgasmo após a secura vaginal causada pela menopausa (hmm.. bom, então bacana né.?).
admito que pelo auxílio à falta de lubrificação causada pela maldita da menopausa pela qual todas nós as de útero, tronco e membros iremos passar hora mais hora menos me tornei mais simpática ao vagisil.
o restante do horário publicitário é dividido por propostas tentadoras de empréstimo, programas (toscos) de emagrecimento (a publicidade da band local, de porto alegre é bem tosca), produtos para que seu maridO deixe de beber e meta-lhe vagisil e vagisil em absolutamente todos os horários.
uma propaganda que eu vi hoje, porém, destoou das usuais pro horário. uma guria muderna & gostosinha, (magra de magra, calça jeans, jaqueta e rabo de cavalo, do tipo “tou-fazendo-universidade-e-estagio-num-escritório-de-...”) vai ao banheiro e o vaso começa a disparar dela. e o tal do vaso sai mesmo em disparada rua afora, entra num táxi, vai parar nos locais mais esdrúxulos, e ela correndo atrás. a propaganda é do tamarine, e o objetivo tornar o ir-aos-pés um ato não tão difícil. bem, isso com uma fotografia amarelo-caganeira, daquele tipo de propagandinha da coca e de qualquer publicidade modernosa de canal feichãdo, tá ligãdo? poisé, destoou, que estranho...
então o público-alvo do programa do leão lobo, além de lésbicas da roça deprimidas às portas dos trinta e em reabilitação de acidentes, é a mulher gorda porque não caga, com um marido que bebe e que lhe escalavra à força a vagina seca e que a 7 meses do décimo terceiro se atraca num empréstimo da losango pra poder dormir direito.
sim, uma coisa leva a outra (estresse com dívida e com marido bebum, que tranca o intestino, que incha e engorda e que tira a libido), mas aí vc pergunta POR QUE RAZÃO não vende-se tranqüilizante nesse horário comercial então?
pois é. para o horário é proibida a venda de bebida alcoólica, então as promessas de felicidade embutidas no tubo de vagisil e no depósito da losango nas vagina e conta vermelhíssimas tem que suprir a necessidade da mulher esbugalhada com o estresse do seu oh happy day.
simples assim, né? (conta de juro simples, que a gente viu no segundo grau.. hihihi)
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bom, mas hoje, no leão lobo, eu olhei uma matéria e quase caí da bicicleta!
a manchete aquela de rodapé de tela dizia assim:
“ALEXANDRE PIRES VIVE JESUS EM ‘A PAIXÃO DE CRISTO’
óóó!!!!!!! como assssiiimm!!??
bah! parei os pé! fui prestar atenção!
imaginou? que nem aquela música do libera o badaró, jesus negão, já pensou alexandre pires de jesus na paixão de cristo? ok, eu não gosto nem um pouco dele, acho um chato de galochas, mas seria o máximo!. (se vc acha que isso soou dúbio o problema é com vc! rs.)
pruma estória que ninguém sabe como é que aconteceu mesmo e que nos foi contada através da memória de 400 anos (jesus, maria, josé! afe!) qual o problema duma licencinha poética de um mártir NEGRO? (não esquecendo que o ex-só pra contrariar tropicou na manivela e fez o lavapés em lágrimas com a busha lá, tão lembrados, né? - mas personagem não é ator)
bom, fiquei grudadíssima na tela.
e aí começou a aparecer o alexandre BORGES.
e a maquiagem do alexandre BORGES
e a câmera SÓ mostrava o BORGES
aí eu vi que a borgianice atingiu ao extremo o pequeno digitador das manchetes das matérias do leão lobo:
logo a seguir não apareceu alexandre pires porra nenhuma mas sim uma erratinha sutil trocando o sobrenome por BORGES.
é, não foi dessa vez.
9.4.07
na sexta-feira, santa.
coisas que só acontecem em twin peaks city cá!
tá a pessoa manca aqui, subindo uma das ruas de chão batido do morro do cocrete pinto pra ir no centro e avista, à esquina vindoura, duas guriazinhas em retoço BÁRBARO com um bicho que eu, cegueta, não defini direito.
pelo pêlo branco me pareceu um cachorro, mas chegando mais perto deu pra ver: um COELHO era a vítima das piazinhas!
não resisti e pedi uma foto delas, solicitação esta que foi muito precavidamente aceita por uma das meninas somente após ressaltar BEM a restrição de “foto do COELHINHO, né??”... vixe! veja o ouriçamento pedofáile já de praxe no comportamento das crianças, em? mas eu achei legal a atitude dela.
bem, noves fora zero tirei a foto do coelhão no colo de uma delas, acho que a que ficou dizendo, enquanto eu ia já meio longinho embora, “báh, tu tá famosa, em!?”.. hehe..
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e porque toda a sexta-feira é santa!!
tive a honra de participar de um debate na rádio clube, a convite da rejane porto, sobre o movimento da consciência negra de pinheiro tangenciando também os assuntos de cotas para negros, preconceitos, etcs.
o debate foi ao ar hoje de manhã, dentro do programa da rê, das 9 às 10 e tantas e contou com a presença da gurizada que é cabeça do movimento cá em pm (ritielle, marina, jonas e cláudia) e foi bem legal mesmo.
fui como estudante de jornalismo (já colhendo os louros do pretenso canudo, veja só! rs.. que nem o léo áquila vive dizendo no superpobre (copyright el cocoloco) “sou jornalista em formação” (nem que sejam só 2 semanas de formação, né?)) e levantei a bola de que tu não vê negro dentro da urcamp (aquela história que estatística a gente faz é olhando na volta da gente), em aeroporto, em cargos importantes, etc. e pude aprender um monte com os guris também, tri bacana.
esse é o PODER de ter um meio de comunicação à disposição! e acho que jovem falando pra jovem, COBRANDO das otoridades os anseios que NOS perturbam tem tradução e alcance infinitamente maiores, dentro do universo da nossa faixa de idade, que o de pessoas muito afastadas desse idioma.
fotas fotas fotas!!!! (quem é que tava tirando? dãa! rs.)
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- eu te amo, amor.
- eu também te amo, amor, mas só depois que tu desmanchar essa tromba.
- HÃÃÃ!!?? opa! e o nalegria-e-na-tristeza-na-saúde-e-na-pobreza, em?? tem que me amar em qualquer situação!!
- não mesmo. só te amo depois que tu estiveres bem, e sabe por que?
- ?
- porque em primeiro lugar vem o amor próprio, saca? como que eu vou te amar se tu não tá querendo ser ajudada agora? então eu SÓ posso te amar no momento em que tu estiveres disposta a que eu te ame, se não eu vou desperdiçar tempo de estar numa boa comigo pra mudar o que eu não vou conseguir.
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tevê, the l word.
...
então uma das sensações mais foda do universo é ter um grelo durão e bem molhado sob o jugo e o ritmo do teu dedo indicador.
dei uma canteada pra minha mão.
minhas cutículas malfeitas do indicador e médio da mão direita com uma natinha de sangue seco denunciando o último dia de menstruação dela. é.
afrouxei em uma fivela a correia da guitarra
de pé, puxando junto das cordas que eu não troco já há uma cara o metálico preto que me fica saltando nos dedos misturado ao sangue seco da buceta, deu vontade de tocar djavan,
[ acho que meio associação com um abajur cor de carne e essas coisas de cheiro de sexo & suor seco que a gente fica ]
ah, djavan é um saco.
djavan é superdifícil, é uma bosta de tocar.
uma bíer, barulho de chuveiro.
[ prosa ]
tenho escrito pouco. e até parece que isso é uma côsa importantíssima, né?bf.
mas enfim. mais uns escritos em prosa, clica no marcador aqui ou vai lá no blogue blague de prosa.
8.4.07
4.4.07
diálogos que me ringem no cú!
pane no sistema! (alguém me desconfigurou)
esses dias vi um capítulo de paraíso tropical e o fábio assunção é um executivo revoltado dentro da empresa principal lá. ele é o que se insurge contra os cortes de pessoal (o famoso “downsizing” porque A GENTE É COLONO MERMO E TEM QUE ENCHER O DISCURSO DOS PSEUDO-EXECUTIVOS- DE-MERDA DE TERMOS EM ENGLISH PRA QUE ESTES SE SINTAM CABEÇAS-DE-ROLA PRIVILEGIADAS E ANTENADÍSSIMAS NO JOGO DO PODER, tá sabendo?). bom, e que neste dia que eu vi ele fazia um discurso sobre o quanto de TEATRO tem dentro das grandes empresas.
teatro aliás se faz em tudo que é lugar. porque o FODA da história não é pegar o roteiro com teu nome sublinhado e seguir representando, pois afinal de contas a gente nasceu capado de autonomia mesmo e se perde completamente se não se encaixar em um MODELO de vida que já existe, o foda não é isso não. o FODA mesmo é confundir a personagem com o cavalo.
cheguei em brecht no “cronistas do absurdo”, do leo gilson ribeiro. ele fala que a diferença do teatro dele para o de stanislawsky é que, com brecht, a farsa fica arregaçada: ele expõe à luz pro público que o que tá sendo apresentaexato como eu havia lido sobre os filmes da que-seria-trilogia de lars von trier, o dogville e o manderlay. e exato como houve críticas sobre a prepotência de von trier por querer ‘julgar’ as situações pelo formato a la brecht adotado nos filmes. claro, porque, como CONSUMIDORES, é mais interessante sermos persuadidos a acreditar que é A GENTE que tá fazendo o julgamento da coisa, né? quando alguém PRÉ-JULGA por a gente é tããããoooo chato....
outro filme que é considerado chat(íssim)o justamente por causa disso é o funny games do haneke (o personagem principal volta a fita no meio do filme e dá novo final à cena, fala com a câmera em vários momentos). porque, CLARO, é melhor deixar o kubrick marionetar alex e o seu moloko pra gente não se dar conta DO QUE QUE É a tal da ultraviolence e COM QUEM que ela tá acontecendo mesmo, é mentira terta..??

mas e o que que tem isso a ver com o teatro empresarial? uns poucos, de nós os ATORES-PÚBLICO, atentam pra tensão da farsa. e os que não atentam acabam caindo na balela de incorporar o teatro CORPORATIVO pra poder MANTER em banho-maria um comportamento não-questionador, não-contestador que lhes assegure um PADRÃO MATERIAL de (sobre???-)vivência de acordo com o modelo de quem lhes parece mais “bem-sucedido”.
não posso falar de empregos massa porque o meio em que eu me criei foi sendo sempre pião chão-de-fábrica bem aos moldes de carlitos no tempos modernos (barthes destina um capítulo do mitologias à análise do filme e tom bufo
com que carlitos exagera na fome gigantesca dos empregados de indústria representando as refeições em tamanhos descomunais (“trabalham só para matar a fome”, p.ex.)). mas no meio atolado em que me criei, no meio em que a RESIGNAÇÃO com a merda baseada nas justificativas mais estapafúrdias é o único meio pra não ter ainda que arcar com um gasto em prozac que não se pode fazer, neste meio de DESPROPRIETÁRIOS (citando brecht do “cronistas”:“a propriedade é uma anomalia pré-histórica...
que diferença há entre fundar e assaltar um banco?
a moral dos burgueses é conservadora - ela visa manter alto
os que estão no alto e em baixo os que estão por baixo,
a incorruptibilidade dos juízes consiste no fato de que nenhum suborno
os pode levar a ser justos... mas o mundo pode ser mudado, deve
haver revolta, deve haver coesão nas massas pois unidas elas triunfarão”. - p.98-99), neste meio AINDA é sinal de ser bem-sucedido ter CARRO, CASA, GRANA e sustentar uma FAMÍLIA (“cachorro, gato, galinha”), por exemplo. claro, que para quem teve amputados seus “privilégios” MÍNIMOS de crescimento intelectual e físico QUALQUER coisa material parece sedutoríssima.
então voltado pra brecht, segundo ribeiro este mantinha uma vida espartana na alemanha oriental, uma vida totalmente afinada com o comunismo, enquanto que paralelamente alimentava contas bancárias na suíça (“nem me fale em brecht! eu o abomino de todo o coração! brecht distinguiu-se pela sua inautenticidade: vivia na alemanha oriental como “comunista” mas depositava seu dinheiro em bancos suíços. (...) acho repugnante o seu cinismo ao dizer textualmente a seu secretário: “sem dúvida, meu caro, é realmente uma vergonha que eu viva como um rei num país cuja população passa fome, mas é preferível ser corrupto no mundo comunista do que no mundo ocidental” (fala do poeta inglês stephen spender, desafeto de brecht).)
sim, e daí? e daí que TU que tens que te conscientizar DO QUE É QUE te FAZ FALTA. de que se uma cama com um teto por cima, uma mesa com um pouco de comida e uma geladeira com um pouco de cerveja, livro emprestado e música te basta.
quem já passou pelo “ESQUEMA” e foi triturado como EU sente vontade REAL de se matar quando vai sendo paulatina e mui falsa-inocentemente ESPREMIDO dentro das paredes dos OBJETIVOS DE VIDA dos que lhe cercam. ES-PRE-MI-DA!! AAARGH!
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eu sou velha, já tive que engolir porra azeda misturada com mijo de muito chefe cuspida na minha cara todo santo dia que deus põe no mundo já por e há muito tempo, então esmoreço ante a qualquer TEATRO de autoridade que me seja imposto do nada. como assistir aula de professor cuzão e ultradireitista e ainda ter que pagar pra ouvir, quieta, merda. pago cento e trinta paus por quatro aulas mensais com alguém totalmente descompensado e fora da casinha, dono da verdade como se fosse o dono da bola: só sai jogo se a bola dele estiver a fim de cair em campo! uf.
porque eu sou velha. eu já tou a quilômetros-luz do otimismo de quem tá ainda fresco do segundo grau e talvez nunca tenha trabalhado em mega-corporação e acha que a grana de um diploma vai lhe trazer godot de mão beijada untadão numa bandeja (ops! mas com uma MAÇÃ DO PARAÍSO na boca, super attention folks!!!!!!!!!!!!!). talvez o fundo de disciplina DITATORIAL do mundinho que um professor use, como essa criatura, faça parte da sua IDÉIA da FORMAÇÃO dos pimpolhos para um mundo que TERÁ QUE SER cruel. cada um com seus métodos. viciados e adquiridos de acordo com a era geológica que nasceu e foi (mal)criado, né? caguei.
agora depois de todas as coisas abjetas pelas quais eu gastei 40 reais de grana do meu bolso parco e três preciosas horas do meu tempo pra me sujeitar a ouvir ontem, ainda ter um arremate de que o diogo mainardi “é um rapaz muito inteligentíssimo cuja afiada língua eu dava tudo pra ter toda acidazinha comendo a minha buceteta secular” e “o jabor? ahhh, o jaborandiii vcs TÊM QUE LER!” meu punho cerrado fez um esforço gigantesco pra não dar uma bochada. acho que em mim, até. por me sujeitar a esse tipo de bosta e continuar INSISTINDO em ser expectador da palhaçada. GORFO!
3.4.07
BIG BAGUALAND BROTHER: AI, se você soubesse o que quer ser????
vixe...
uma câmera na mão e muito vácuo na cabeça. e ao invés de pegar a câmera pra fazer um trabalho sobre comunicação do prof glauber a pessoa se empolga com as entrevistas de limão e caróu ontem no big brother e acaba caindo na objetiva (ui!)...
poisé, meus filhos. deniseritta bagualand contratodos corporation bem animadinha, em uma entrevista animada pra vcs no esquema os vídeos mais toscos da internê. e vcs me perguntem por que as minhas entrevistas tem que ser sérias? r= porque rindo ou cabe eu ou as bochechas no enquadramento (rs..) é brabo.
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2.4.07
porque se as pessoas ouvirem as músicas que eu acho bacanudas, ou virem os filmes, ou lerem os livros, ou derem voto pra quem eu acho legal, ou conversarem o que eu acho suportável, daí.? porque eu no segundo seguinte já acho tudo uma merda e já mudei de gosto mesmo.
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“sim, não acabo porque vai ser insuportável tentar ficar evitando ouvir a tua voz, ou as músicas todas que volta e meia se perfilam muito sem-vergonhamente na minha lista de execução. então sim, nunca se acaba nada que um dia se começou e o peito da gente é e será sempre e cada vez mais um torniquete em aperto progressivo em sobrecamada, tempo pra frente afora.”
[ prosa ]
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a vida é a arte de transformar a dor em raiva.
raiva é ódio aplicado.
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bom. tudo é absolutamente sem sentido, ok?
ok.
então o jeito menos indolor é trilhar o caminho fazendo as coisas que se gosta, ou que não causam sensação de chateação/obrigação.
PODCAST.... 139
1.4.07
num dia de domingo...
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bilitis, barthes, baratas, etcs... (rs...)
mas na verdade tudo é meio assim.... a gente só “deixa passar” o que JULGA pertinente que os outros conheçam de nós ou do que a gente quer mostrar de alguma situação (o escritor também julga, etc).
bom, mas nessa de imagem é nada sede é tudo (e a coca-cola sempre fazendo com que a gente se ache perspicazérrimo porque entende o pseudo-anti-marketing deles e mesmo assim continua comprando) a própria sprite mudou a imagem porque a garrafa anda azul. e a sprite zero que ultimamente muito me tem aprazido está vindo naqueles garrafões estilo guaraná! estranho!
tá ok, esse papo de garrafas PARECE de uma idiotice tamanha só que eu fiquei pensando como eu sou CRENTE no que o rótulo me faz acreditar!. mudou a garrafa, mas será que aquela bebida tem zero açúcar e zero calorias também? eu CREIO plenamente no que eu tou ingerindo de acordo com uma informação mais que suspeita de rótulo..
a gente crê em bobagens inacreditáveis.
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ah, a biblioteca da urcamp!!
tá, como eu sou chata e repetitiva, né?
mas bem.
me pego num corredor ladeado pela prateleira de marketing à direita e pela de história da arte à esquerda. parece um arranjo que não tenha nada a ver mas é tão emblemático!!
voltando pra monsieur barthes ele fala uma hora no mitologias sobre a tautologia (“tal coisa é porque é”, como em dúvidas de criança que a gente não consegue responder).
então a arte muitas vezes faz do marketing uma BAITA muleta. quanta música, livro, filme a gente consome só por cauda do AUTOR?
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procurando um livro prum trabalho de redação cruzei com um volume de ensaios do leo gilson ribeiro chamado “cronistas do absurdo”. nele, leo faz uma análise mega apaixonada de 4 mestres do absurdo: kafka, büchner, brecht e ionesco. bom, o tal do büchner eu nunca tinha ouvido falar até o livro, dos outros sim.
mas comecei a ler ontem e - DOIDA por kafka que sou - cruzei com uma passagem onde é citado um trecho do diário do tcheco, olha só:
“devo ficar só o mais possível, tudo o que realizo devo à solidão. eu odeio tudo o que não está ligado à literatura. conversações, mesmo sobre assuntos literários, me enchem de tédio, visitas aborrecem-me, as alegrias e atribulações de minha família causam-me um tédio mortal. as conversações roubam a importância, a seriedade, a verdade de todas as coisas sobre as quais eu penso”.
CRONISTAS DO ABSURDO - leo gilson ribeiro - p. 39.
bãããã!!! eu ontem lendo isso no busão de volta da urcamp e me encontrei profunda e totalmente com este trecho.
então o povo do ônibus, em praxe de quase todas as sextas-feiras, começou a comprar em posto de beira de estrada as skols cicarelli e se reunir em grupos pra contar piada e dar risada no final de uma semana voltando pro rincão depois de estudar na “cidade” e de trabalhar. eu sou nova na turma, e demoro sempre TANTO para me socializar, é impressionante como em QUALQUER lugar é isso.
e analisando muito rapidamente kafka, e a bagunça do busu (que sou super a favor) me bateu um treco estranho. nesta semana mesmo tive um episódio de tirada do chão dos meus pés e COMO eu tenho medo disso! COMO eu tenho medo de criar os vínculos porque eu SEI que eles vão se desfazer, é foda.
o raciocínio que eu sempre adoto, então, é evitar a dor da perda, evitar perder O PRÓXIMO evento, sem gozar o de agora. aí me isolo o mais tupper e o mais ware e o mais hermeticamente possível. nesta semana eu quase perdi uma situação que tanto prazer me causa e, seguindo a analogia, fui refratária AO MÁXIMO no contato com a gurizada do ônibus porque, assim como na outra situação, eu poderia a qualquer momento DEIXAR DE vir a aproveitar a festa com eles daqui pra frente.
fechei o kafka e abri a fisionomia. entrei na muvuca e na cantoria e e na divisão de grana pra bebida do pessoal. e aproveitei, isso no dia de ontem. o dia de amanhã eu não sei, e quem é que sabe, né.?
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ainda no meu lugar top da moda de ultimamente, a biblio da urcamp, eu cruzo com um livro ótimo esses dias! “a vida amorosa de bilitis”, que a vange leonel tanto fala.
e o livro é um sarro!
mas primeiro, a situaçã de tirar o livro:
tem uma atendente na biblioteca que é A CARA da rita lee! muito engraçado.
então sapawoman kiddo chega no balcão com este “a vida amorosa de bilitis” e a atendente acha estranhíssimo o livro não ter autor (rs.). aí pergunta de que se trata e eu entredento um “de puemas”.
tá? eu sou cheio de pobrema, tá? quisera ser A hiperdescolada que tasca um “é um livro de poemas de amor entre mulheres” mas eu ainda viro uma barata nessas horas e me odeio por isso. mesmo. merda.
mas ao livro:
tem umas coisas engraçadérrimas, como este pequeno trechinho que fala duma noite meio desmemoriada em que bilitis acorda num lugar incerto e não sabido e com uma criatura bofa que supostamente a tenha atacado.. hahahaha... é muito bom:
“PSAPHA*
ACORDO. esfrego os olhos. já deve ser dia. ah, mas está aqui uma mulher comigo! por paphia! e já nem me lembrava dela! oh charitas, que vergonha!
mas que espécie de nação é esta, onde o amor é assim praticado? se não me sentisse tão cansada diria tratar-se de um sonho! será possível que ela seja psapha? (hahaha... ohhh! serááá??)
dorme... é bela, embora tenha os cabelos cortados iguais aos dos atletas. o rosto é exótico, o peito é másculo, suas ancas estreitas...
quero deixá-la enquanto dorme. (hahaha) mas como, se me colocou contra a parede? passar por cima dela é arriscado, pois se eu a toco e ela acorda, então não me deixará partir....”
(*nome também usado por sapho na ilha de lesbos)
A VIDA AMOROSA DE BILITIS / ou aventuras de uma cortesã grega seiscentos anos antes de cristo - s/ autor - coordenada editora de brasília - p. 14
hahaha... recomendadérrimo!!!
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