TWITTER CONTRATODOS

30.5.07

mivida2

29.5.07

caraaaaacaaa(s)!!!

e o chávez, em???
bem, alguém de vcs por aqui chegou a ver “a revolução não será televisionada”? e será que a emissora que o chávez capou a concessão é a que fez aquela simulação de manifestação pra ser veiculada como FATO na época em que A IMPRENSA DA VENEZUELA CESSOU A CONCESSÃO DO PRESIDENTE DE PRESIDIR??

well.... é proibido proibir, né?? é que às vezes só muda de nome (“quem” é que tem o direito e EXPOSIÇÃO de veto...: quantas coisas os meios formadores de opinião cessam a concessão pra nós e a gente assente sem questionar, an???).

as leis da democracia. como disse o rei nem tão alienado assim, à época da jovem guarda, quando questionado entre o socialismo ou capitalismo disse ser a favor da democracia.

e é mentira, terta??
“AH NÃO, MEU DEUS!!!

tem que mandar recolher mesmo essa biografia do rei!!!!!! que nessa casa só SE FALA de roberto carlos, só SE OUVE roberto carlos, só SE CITA roberto carlos!!

aaaahhh!!”

pequeno monólogo de desabafo extremo de minha caríssima namorada na noite de ontem, quando atingi já o terço final do proibidão do rei, declaração esta após várias tacinhas médias de whiskey with guaraná e várias partidas de eight ball no playstation vencidas pelas min
has precisas enfiadas nas vazadas, enquanto ela perdia sistematicamente uma atrás da outra por, estranhíssima coincidência, ficar sempre com as sólidas a encaçapar.

bem, roberto carlos é sempre e cada vez mais traumático pra mim. céus. em várias ocasiões na minha vida tive contato com o rei porém o calço de tudo o que penso (/dispenso) dele hoje vem dos meus pais mesmo.
eu sempre ODIEI roberto carlos pelo simples fato de eles o amarem. então em primeiro lugar rc era um adversário ao amor dos meus pais.
em segundo lugar eu me sentia péssima de eles AMAREM alguém que representava tudo o que eu achava de mais detestável num ser humano (artístico/não-artístico) na idade madura. sim, porque decepcionar-se com uma filha sapatão, msteísta, bêbada, leitora contumaz e todas aquelas coisas que fazem com que os pais decepcionem-se com as filhas é fácil, agora ENFATIZAR isto tendo como ídolo-mor o (previsível? extremamente previsível? bidimensional?) roberto carlos me soava de uma crueldade atroz.

bem, eis que me encontro ouvindo com gosto o roberto carlos - 1971 (detalhes)
neste momento, isso depois de exaustiva e muita (e sempre) lapidação dos meus conceitos-ogro sobre os temas que eu ignoro.

não vi a entrevista do rc no fantástico, só peguei o finzinho. não há motivo pra tanta celeuma, porém. acima de tudo, o paulo césar de araújo é um fãzão do rei e se ele contextualiza um que outro fato isso só serve pra dar o tom de reportagem do livro, não destoa.
há pouco menos de um ano eu pude ler o “
como dois e dois são cinco”, do pedro alexandre sanches, este sim contando com uma análise crítica (leia-se pontiaguda, leia-se contundente, leia-se ESCLARECEDORA) bem mais profunda à obra de rc.

bom, eu recomendo a leitura de ambos, a audição exaustiva do rei (ele É o máximo. eu precisei ENTENDER à custa de muita pestana queimada o meu ódio pra passar a gostar dele), a obsessão sobre o tema, porque é um naco importantíssimo creio que da vida de todo o brasileiro dessa metade do século passado pra cá e imprescindível que a gente reconstitua pra evitar perder de gozar a obra musical que “esse cara”, roberto carlos, deixou pra gente.

novidades buk, l&pm sempre!

eeeeeeiaaaa!!!!

num é que a l&pm lançou o
fabulário geral do delírio cotidiano em formato pocket!!????

puxa vida, esse foi o primeiro livro do charles bukowski que eu li, na minha supermicro biblioteca pública da minha supermicrocity
de pinheiro machado há zil anos atrás e desde este volume não parei mais de procurar o que pudesse dele.

Um .45 pra pagar o aluguel
Duke tinha essa filha, que se chamava Lala, de 4 anos. Era a primogênita, logo dele, sempre tão precavido pra evitar filhos, com medo de ser morto por um deles.”


hahaha... essa é a primeira estupenda frase do livro, e me bateu afuder no estômago.

a única vez que eu tinha visto o fabulário, volumes I e II, depois da biblioteca daqui foi num sebo em sampa city mas eu tava sem grana e deixei passar, porém esteve sempre em stand by na lista de pendências.

agora a l&pm lançou a 18 pilas. eu comprei o verde, agora falta o rosa CHOQUE. mas foi uma bela surpresa encontrada na livraria espírita bageense na tarde de ontem.
porque, ALIÁS, quer coisa mais ABSURDA que encontrar o fabulário geral do delírio cotidiano - ereções, ejaculações e exibicionismos JUSTO na LEB? não, né...
putz, mas assim fica difícil, némeu pai!!!???
e então eu, animal sem dono e pobre vou ter que tentar a sorte no enem (inscrições abertas) pra prosseguir meus estudos...
(mas vou continuar não entrando no atendimento ao cliente...)

25.5.07

orthão!


a melhor ontem foi a marisa orth na grande família:

“é que você não é evoluída o suficiente pra ser lésbica, marilda!”

hahahahahaha..... é a tevê firmeforte na fina arte do ilusionismo!!!


hahahahaha...

“Por tudo isso, Erasmo foi percebendo que já era hora de também aprender a tocar violão. "Tim (maia) me ensinou os três primeiros acordes: lá, ré e mi maior. E eu descobri que com eles podia tocar uns quinhentos rocks. Era só inverter os acordes porque era tudo parecido mesmo."”
roberto carlos em detalhes (vulgo "proibidão") - p.c.araújo - p.66

hahaha...
sabe? você liga a tevê ou abre o jornal e lá tá escancarado o frisson em cima da friaca fudida em pleno outono cá pelo sul do “PAÍS TROPICAL”.
aí vc saí pra rua e acha esse frio uma merda, E isso que vc supostamente tem algum muquifo com quatro paredes e um teto pra embarreirar o vento e de vez em quando consegue fazer uma refeição que outra.
aí na tevê os âncoras (he he.e vc já parou pra pensar POR QUE que os âncoras são chamados de âncoras? então pare, AGORA!), mui plastificados e a(r)condicionados agradavelmente nas suas caras pálidas bradam pelas suas bocas saudáveis, tela adentro de nossas todas casas, o escore negativo progressivo da temperatura no SUL como uma competição EUROPÉIA ou chilena-o-caralho-a-quatro, resquício burguês de juízo sobre a ELEGÂNCIA do FRIO.
.
esse frio caralhudo é antinatural pro nosso corpo debilíssimo de homo sapiens. mas aí o “discurso” que é enfiado goela abaixo da gente (via essa tal de “cultura”, “formada” pela tevê e etcs, saca?) começa a dizer que é CHIQUE, o frio?
e saporquê??

saporquê que o vinícius pede que as feias desculpem ele e o seu bafão de uísque?

PORQUE SEMPRE QUE VOCÊ TIVER QUE SE ADAPTAR A ALGUMA COISA, ALGUÉM ESTARÁ LUCRANDO COM ISSO!!!!

então o frio não é ruim não, o frio é BELÍSSIMO!
e então para a beleza apolínea há sempre que percorrer o calvário de academia, bomba anfetamínica, cabeleireiro, cremes mil e crediário c&a.

“comprar a adequação é default, sofrer com isso é opcional e obter prazer na atividade é a comenda por aprender a fechar a porteira com o próprio casco partido: mé!” (hahaha).

hoje mostraram na tevê o povo catador de lata que vive na rua. na reportagem uma fêmea humana muito suja disse pra câmera que só conseguiu juntar 9 R$ no dia anterior porque a redução no consumo de bebidas em lata pelos outros por causa do frio diminui o que ela vai conseguir comer no dia.
corta pra uma manifestação de grevistas onde uma outra fêmea humana, só que esta muito limpa e encasacada (creio que presidente do cpers), reivindica pra objetiva da rbs um reajuste mais justo que o de 1 R$ que foi aplicado no vale (transporte? alimentação?) da sua categoria, passando de 8 para 9 REAIS.

cada um na sua (categoria), mas com alguma coisa em comum.

porque, vamos e convenhamos, 9 REAIS não dá pra nada, né?.

e afinal de contas “morador” de rua é tudo vagabundo, né? e grevista também é tudo vagabundo, né?
e o ricardinho mansur não tem culpa cristã de ter nascido rico não.

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há uma propaganda do GOBIERNO que fala sobre dinheiro falsificado (aquela engraçadíssima (acho que ATÉ claque tem, af) onde a caixa do supermercado desvia a atenção do cliente pra conferir a veracidade da nota e vice-versa). nossa, tri engraçado, hein?
eu imagino a cena desde o gabinete de onde são cagadas as necessidades de “comunicação oficial” para a “população em geral” até a concepção da peça final!


“DONO DA CASA DA MOEDA: - caralho. descobriram um derrame ENOOORME de notas falsas no país, temo que dar um jeito de pegar essa merda de volta sem causar muito alarde.
LAMBECÚ DO DONO DA CASA DA MOEDA - chefe, manda a macacama da publicidade criar uma peça engraçada pra mandar todo mundo conferir a grana como “dever cívico”, saca?
DDCDMOEDA - ééé!!”


e assim todos riem e conferem o dinheiro e denunciam possíveis falsificações quando acharem.

ou vc acha que SE NÃO HOUVESSE A CERTEZA de um derrame de nota falsificada o gabinete de comunicação do governo gastaria a grana do NOSSO imposto pra comprar horário publicitário? acha mermo? rs.

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e aí eu tou na minha mãe e me topo com uma revista “CLAUDIA AUTO-ESTIMA” (ai!).
a revista é patrocinada pelo “programa dove pela auto-estima” (god!).

tá. eu tou sendo meio chata.

mas então tem 3 gurias que são apresentadas como estando com a auto-estima baixa, uma porque se acha feia, outra porque se acha sardenta demais e a outra porque se acha gorda, (mal-)estar este que a dove, à base de muita CONVERSA, pretende reverter.

e aí o que vai acontecer, quando elas enfim “se aceitarem”? sentir-se-ão a partir daí, as moçoilas, alforriadas para, “livremente”, “cuidarem de si próprias”, aí sim FINALMENTE comprando os produtos dove, & roupas, & academias, etc etc etc.

a campanha da dove, PORTANTO, visa na melhor das boas-intenções (e de boas-intenções o lobo mau, a véia doceira do joãozinho e mariazinha e seus scraps pras gostosas no orkut tão cheios) ressuscitar nas atuais não-consumidoras deprimidas o desejo de se adequar fazendo-as(nos!) crer que é normal ser horrível ou fora do padrão, e que não é SÓ POR isso que a gente vai deixar de QUERER SER FELIZ.

(hahaha... ay que me muero!)

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link da campanha da casa da moeda com as “notícias” que a gente vê nos “noticiários” bradadas pelos “âncoras”, esses dias mostraram no jornal um povo em porto alegre que teve as casas invadidas pela água e que acabaram ocupando umas casas ERMAS da prefeitura pra se abrigarem da chuva.
a edição do jornal mostrou o povo como baderneiro.

e a gente, ali das cadeirinhas superaristocráticas de “juri popular” defronte a tevê segue se engambelando de bocaberta com o teatro do tribunal que só tem advogado de defesa (ai ai ai!).

bem como já diria o barthes (com algumas adaptações minhas), o nosso juiz interno é formado de 1% de inspiração e 99% de estática.

23.5.07


bela peça publicitária. “forrrtuna, sabor de españa: 5 minutos de fogo”. a gente compra cigarro mata-rato, vinho mata-rato.
ah, mas sei lá.
de rato a gente passa pouco mesmo.

agora há pouco cruzei uma véia num mini-mercado com uma japona alberto. lembro que quando eu tinha meus quinze as japonas alberto fizeram sucesso nesta nossa Findomundolândia friíssima de pinheiro. as japonas alberto, acolchoadas, com capuz, compridas e bem baratas, em verde-pântano e azul-marinho pra não aparecer muito a sujeira, made in taiwan ou in algum outro lugar quentíssimo protegeram a pobrama naquela época, nos 90’s.
hoje a véia de alberto da verde com dois quilos de farinha mafalda e uma lata, quer dizer, embalagem plástica de óleo de soja (lata anda out. plástico. embalar, verbo transitivo. embalar-as-coisas-com-petróleo. passar a cavar embalagem da água, deixar de lado o que outrora era cavado da terra) na sua cestinha de compra cheirava, tomando juízo sobre a aquisição, um pacote de fumo exposto nas prateleirinhas no caixa.
esses dias eu cheirei um pacote de fumo no caixa de outro micro-mercado e lembrei
1) do meu avô que fumava fumo mata-rato (árvore genealógica preservando a linhagem, tunti tunti tunti tunti tunti) enrolado sempre em seda colomy e

2) da fábrica da souza cruz em santa cruz do sul onde eu media as máquinas de beneficiar fumo e ficava impregnada uma semana com pó de fumo no corpo inteiro. até que não era mau. como era muita coisa (uma semana de trabalho medindo a vibração duns 400 motores), ficávamos num hotel da cidade e naquela época o frigobar tinha sempre direito a duas latas de cerveja por dia. aí acumulávamos as cervejas pra trazer pra beber em casa. minha “casa” na época, no caso, a pensão numa igreja de são leopoldo com o meu quarto sweet quarto com vista para a janela do quarto do outro lado do corredor.
esses dias eu li “
a pomba”, do patrick süskind, e o personagem principal era um vigia de banco, quarentão e neurastênico que morava numa pensão onde uma pomba, um dia, cagou na porta do corredor do seu quarto. e ante a merda da tal pomba ele começou a ruir toda sua rotina premeditada pra evitar o olho duro (e o cú audacioso) do animal. livro médio, porém. bem distante de “o perfume” (aliás o filme me agradou muito, superfidedigno ao livro).

é que a diferença da minha pensão pra da descrita no “a pomba” é que na minha só não tinha pomba pra cagar a merda.
(e tem quem ache o máximo a pensão de
bandini. eu queria era um cutelo pra carnear senhor, senhora e senhorio porta-por-porta da minha, tio raskolnikov mestre dos magos!).
.
hoje, maio cinza de dois mil e poucos, há promessa de neve, por aqui. neve pra conserva do sul gangrenado. esse frio me lembra a vodca batizada russa que matou uns quantos por lá. não tem como não a gente ser fechado e enrugado (alma) com esse frio.

(daqui onde dá pra ver) a rússia é distante, pobre. tem pessoas palidíssimas de ancas e ombros e maxilares fortes, forjados a borsh e vodca falsificada. e ninguém no mundo entende - OU DÁ BOLA PARA - o que eles falam.
semelhanças.
(me falta tanto
tarkovski ainda)
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o bom, mesmo, é o nada melhor do que não fazer nada só pra fazer resenhas e samplers de livros diversos e anódinos. é isso que é fácil que eu faço.

a gente não faz o difícil porque é difícil, oras!


lembro daquela cena do c.r.a.z.y. onde o pai do zac fala pra este que se ele é irreversivelmente (! ATÉ as japonas alberto são “reversíveis” e isso é patético: mesmo ao inverso ela segue sendo a mesma, com outra cara! ) homossexual, então não vai ser possível “aceitá-lo”. e i
sso porque uma das coisas mais bacanas da vida é ter filhos.
no que o zac, engolindo seco e abstraindo a censura dolorosa e CRÔNICA (NADA do que o zac faz pode lhe agradar, né sr. “pai do zac”??) do pai na capa do disco, se dá conta que este só teve 5 filhos pra poder formar o nome da música que ele se cagava todo por, a “crazy”, da patsy cline.
é que pra capar a descendência não precisa ser gay não, sr. “pai do zac”.

porque ter filho, sr. “pai do zac”, muitas vezes, é só pra gente
a) transferir pra outro a responsabilidade de ser alguém na vida (dá muito menos dor e trabalho COBRAR que alguém que saiu do teu pau seja CORRETÍSSIMO do que cobrar isso a si próprio) e
b) deixar de viver a própria vida pra “ter com quem se preocupar” e “prover” (é TÃO mais fácil ter com quem se preocupar do que ter que se preocupar consigo mesmo, né?)

daí então que concluímos que é nobilíssimo o ser humano disfarçar-se de progenitor e, portanto, um pecado renegar a capacidade DIVINA de animal reprodutor.

não precisa ser gay pra evitar ser responsável por seguir a palhaçada por mais umas gerações não, sr. “pai do zac”.
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e quando eu engatar de vez a leitura do
livro do desassossego, por favor me tirem as crianças e as armas da sala.

22.5.07

é, meio por isso que eu tiro foto. porque foto não fala, porque pose, porque close, porque ângulo favorece.
porque o disfarce do que é imperfeito faz eu ter numa foto um julgamento que não tou vendo quem é de verdade, porque demasiado (e só) humano, porque às vezes o que nos resta é só mesmo o corpanzil escroncho pra andar pela rua,
e porque andar pela rua não faz você comer ninguém (às vezes), porque comer alguém implica ter muito mais que dois olhos em cima dum nariz ou qquer coisa que se considere “normal” ou “não-abjeto” (e que pode ser capturado por um instantâneo), implica SER alguém com conteúdo,
porque foto com conteúdo é foto séria e
porque foto (posada) traduz o cúmulo da falsidade e imprecisão.
e porque eu acredito em tudo isso, e porque eu me odeio e acho que uma foto poser vai me segurar a onda numa (quinta? quarta?) qualquer à noite, em que o chão reza a rotina de se encolher debaixo dos meus pés, é por isso que eu poso e prendo uma farsa, um ideal que talvez eu até quisesse ser, dentro dum retângulo pb. que tudo é questão de ângulo bom ou ângulo mau, instantâneo, na vida.

"a cobertura fica o ano inteiro desocupada e eu, que por acaso também fico desocupado o ano inteiro, tive uma idéia."
O HERÓI DEVOLVIDO - marcelo mirisola - p. 56
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a quinze pila o herói devolvido, usado, do marcelo mirisola.
desde de?... outubro, novembro, dezembro, jan, fev, 3, 4, 5, 6.... nove meses lá da banca da feira do livro em porto alegre até eu pegar pra ler.

mas falo depois.

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acho que foi em pelotas que eu comprei a garota de cassidy, do david goodis, dos pockets da l&pm, 14 contos.

“shealy embolsou o dinheiro e olhou para o maço na mão de cassidy:
- o que você tem aí?
cassidy contou o maço com o polegar:
- oitenta e cinco.
- não é muito.
- será o suficiente. da maneira que viajarei, não vou comprar passagens.
- e a bebida? - shealy perguntou.
- não vou ficar bebendo.
- acho que vai - shealy disse. - acho que você vai tomar muita bebida. acho que pelo menos um quarto por dia. esta é mais ou menos a quota quando eles estão fugindo.
cassidy virou as costas para shealy. estava encarando a porta do roupeiro e disse:
- seu bastardo grisalho.
shealy disse:
- tenho algum dinheiro no meu quarto. um par de cem.
- enfie.
- se você esperar aqui, vou apanhar.
- disse para enfiar. - ele agarrou a porta do roupeiro e bateu forte. - não quero favor de ninguém. estou só e é isso que quero. apenas estar só.
- você é um caso triste.
- bom. gosto quando eu estou deprimido e mal. me divirto com isso.
- nós todos nos divertimos - shealy disse. - todos os vagabundos, todos os desastres. nós chegamos num ponto em que gostamos desse passeio decadente. para o fundo, onde é macio, onde está a lama.
cassidy não se voltou. continuava a olhar para a porta do roupeiro.
- isso é o que você disse outro dia. não acreditei em você.
- acredita em mim agora?
(...)
- não sei no que acredito. há uma parte de mim que diz que não deveria acreditar em coisa alguma.
- esta é a maneira sensata - shealy disse. - apenas desperte a cada manhã e seja o que for que aconteça, deixe acontecer. porque não importa o que você faça, acontecerá de qualquer modo. entre nela. deixe que ela o leve.
- pra baixo - cassidy murmurou.
- sim, pra baixo. eis por que é fácil. nenhum esforço. nenhuma subida. apenas deslize pra baixo e curta a viagem.
- claro - cassidy disse e transformou seus lábios numa careta. - por que eu não deveria curti-la?
mas a idéia disso não era agradável. a idéia disso era contrária ao que ele queria pensar. um momento de memória cortante entrou disparando em seu cérebro e ele viu o
campus
da escola, viu um bombeiro, viu o campo de pouso de la guardia. e a imagem projetada dele num dos melhores restaurantes de nova york. sentou-se com as mãos limpas, camisa limpa, o cabelo aparado asseadamente. a garota do outro lado da mesa era doce e magra, uma graduada de wellesley, e estava lhe dizendo que ele era realmente muito bonito. ela estava olhando para suas mãos imaculadas...
ele olhou para shealy:
- não - disse ele. - não, não acredito em você.
shealy retraiu-se.
- jim, não diga isso. ouça-me...
- cale-se. não estou escutando. vá procurar outro freguês.
ele passou por shealy, visando a porta da frente. shealy foi rápido e deslizou para bloquear a porta.
- dane-se - cassidy disse. - cai fora do meu caminho.
- não vou deixar você ir lá.
- vou lá falar com ela. eu a trarei de volta aqui e a deixarei sóbria. então eu a levarei comigo.
- seu idiota. eles o apanharão.
- este é o jogo. agora, afaste-se da porta.
shealy não se mexeu.
- se você levar doris embora daqui, você a estará matando.
cassidy deu um passo para trás.
- que diabos você quer dizer?
- eu não lhe contei? tentei deixar claro. não há nada que você possa dar a doris. o que você faria é tirar a única coisa que a está mantendo viva. o uísque”
A GAROTA DE CASSIDY - david goodis - p. 138-140 - l&pm

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cassidy tinha acabado de fugir do local dum acidente com um ônibus que era motorista e no qual morreram todos os passageiros. um amigo o sacaneou fazendo-o beber uísque DEPOIS do ônibus se acidentar, etc.
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isn’t
ironic??? don’t you think??? is laikueiriê, ê, oniouruenin day....

ééé...

só AGORA, DEPOIS de ser expulsa do
CLUBE DOS ESTUDANTES por não poder pagar nem jóia nem mensalidade, e sem sequer ter podido fazer minha carteira legítima de estudante (nunca quis falsificar antes de estar realmente estudando, tri bunda mole) é que pude finalmente por os cascos numa livraria. paradoxo EX tudantil.
bagé, hoje, uma única livraria, mais que meia boca.

aquela série massa da
companhia de bolso (que traz numas edições menos rococólescas como a praxe das publicações do nosso MUI ELITISTA mercado editorial em português do brasil que não lê) tem novos títulos e dentre eles o LIVRO DO DESASSOSSEGO de mister FERNANDO PESSOA, na sua despessoa Bernardo Soares. o que fazer?
qualquer página aberta, uma estocada. cartão-miséria ibicard c&a (cartões, quer dizer. “international sem anuidade para senhora que tem um ótimo relacionamento com o comércio em geral, senhora denise. até o dobro da sua renda(?) em limite”) todos estourados, passa no débito, um barão sendo comido no saldo devedor do banco, passa no débito mesmo, foda-se.

não sei a página. abri agora à tarde. algo como:

fiquei feliz, hoje, por não estar me sentindo infeliz”.
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e precisa dizer mais alguma coisa?

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o livro do mirisola é de contos. eu já tinha lido dele “
o azul do filho morto” que tem umas coisas boas, outras superbabacas.

esses dias eu comprei uma garrafa de campari por 20 paus. o livro do mirisola é quinze. o do pessoa vinte e oito e alguma coisa. o do goodis quatorze. uma garrafa de natu peguei a dezoito e dezesseis esses dias.
mas enfim.

horrível o campari. quando eu tomei nalgum passado onde eu julguei que era bom (pela cor: atração inegável por qualquer coisa vermelha, OH!) já devia CERTAMENTE tar cruíssima com alguma outra bebida bagunçadora de paladar. de tanto tomar samba de cachaça de um real em carnaval no passado eu quase vomitei uma caipirinha chiquíssima de cachaça grã-fina de paraty, em paraty, fazer o que.
vinte paus postos no lixo com o campary, mas o livro do mirisola...
.
falando em campari, a
parada gay lésbicas travestis transeuntes transexuais panamerica latim em pó em são paulo vai ser dia 09 do mês que vem. go salete campari!
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e transamérica latim em pó o que quer o que fode essa língua foi o
prêmio tim de música na globo ontem. sei lá. prêmio é muito estranho.
um prêmio pra dizer que madame bethox é a melhor cantora do país(?)? que mar de sophia é um discão? (blargh-pessoal). ai, bethânia e caê sendo laureados por um prêmio duma telefônica made in italy, prêmio de cartas marcadas e dona canô regozijando-se no túmulo.
(ela não morreu! eu não morri? eu-não-morri-porque-posso-ligar-o-computador-na-tomada-e-pressionar-as-teclas-e-logar-bla-bla-bla. não morri, portanto. minha carcaça preservada a formol dentro do sarcófago da pirâmide do meu blog feito à minha imagem e semelhança pela eternidade da net).

prêmio. bethânia é foda, caetano é foda, marisa monte é foda. e foda-se.

as marcas, sabe?, elas patrocinam coisas com as quais querem ser associadas num futuro. tipo “a tim é bacana porque banca um evento de música sarcofágica brasileira, logo...”
logo a tim (ring)tones vai brandindo seu branding em riste na frente da nossa bocarra escancarada ávida pela sua porra, pela proteína que far-nos-á fecundados pela CULTURA SUPREMA, ARS SUPREMA, clap clap clap your hands say YEAH baby burro!
cuspt! (plísi, baby. nokúzinho é que é bom pra pele).
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e nós, os nadas, voltamos pro morro com carregamento de toda a merda que dá pra comprar nos supermercados, os pais gostam dos armários cheios.

“OS PAIS GOSTAM É DOS ARMÁRIOS DOS FILHOS CHEIOS”

os meus, pelo menos, bah.

os pais ricos dos filhos criados aos moldes do jogo da vida também se rejubilam, são iguais. só que com a troca do carro, do apartamento, de quem o filho tá pegando.

e os pais dos filhos tropicalistas tropicalientes inteléquituais baeanos se rejubilam com os prêmios?

descendo a sete, na bagé, eu pensava que poderia receber um prêmio por ser the best of nada. ou the best of coitus interrompidus (bom, algumas coisas eu consigo acabar, sometimes. comigo, por exemplo, paulatinamente).
um prêmio pra levar pra cima do morro, “tua filha é um sucesso como te fazer passar vergonha, srzinho X!”. Aê!
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e evolução da [lo]ser humana denise.
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o lula, numa coletiva, falou que grevista não pode receber os dias de greve: há que ter o “fator-risco” numa greve.
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os plantadores de eucalipto pra votorantim papel tão esperando a liberação da fepam pra seguir o trabalho, em todo o interior do sul especialmente por aqui. a não-liberação (feita com base no argumento de que o eucalipto tornará futuramente improdutivas as passadamente improdutivas terras vendidas pra votoran) acabou fazendo com que uma pá de gente perdesse o emprego.
e perder o emprego, por aqui, é quase uma sentença.
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o chávez, num início de relacionamento com o socialismo na venezuela.
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eu li um livro com algumas notas sutis de
misoginia há pouco, do pedro juan gutiérrez.
sei lá. o mirisola abusa do recurso “comi e me arrependi” ou “onde é que eu tava com a cabeça (da pica)?”, que chatice. as mulheres que o personagem principal dos contos do “herói” come são em sua maioria burras (será que é essa a metáfora? tipo: eu só vou pegar quem é tão leso que não se tocou o quão nojento eu sou e só por isso tá me dando? pode ser.).
entre uma piçada e outra o personagem do mirisola preenche o seu tempo debochando da falta de cultura de almanaque (aquela, da qual todos NÓS, os INTELECTUAIS PAPAGAIOS, nos orgulhamos de deter) das moças.
e, por isso sustento que NÓS, os SUPREMOS INTELECTUAES, não transamos. NÓS, os INTELLECTUAES, escolhemos nossos trepantes com testes dignos para entrada na NASA.
portanto, VOCÊS, os intelectuais, me torram o saco, me secam a buceta (
e eu vou fazer um leilão, quem dá mais pelo meu coraçã-ã-ã-o...: bocejo!)

adianta-me por demais saber todas as interligações da
literatura beat (e ainda citar umas de cabeça) ou o que quer dizer o tal do hail to the thief enquanto que meu trepante tá enxergando na frente dele, à meia-luz numa cama decrépita dum duas-peças numa vila, meu “eu-supremo”, uma bolha inchada de canha, dente amarelo, cabelo ruim, aquelas asquerosas coisas,
minhas roupas toscas, tudo meio sujo.

adianta não, minha gente. de vez em quando adianta pouco é tomar um banho e raspar os pêlos e cortar as unhas (dos pés, principalmente) pra não parecer tão nojenta.
ou seja, o que MENOS HÁ, no livro do mirisola, é sexo, na acepção perfeita da palavra encarnada.
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e entre os peitos do mirisola e os do goodis eu prefiro os noir do goodis, disparado.
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isso me lembrou dum filme noir nas coxas (afe!), os fugitivos, com o jared leto e a salma hayek, onde eles fazem um casal de assassinos em série que matam solteironas pra pegar sua grana. (quer saber? o filme é uma bosta, mas eu achei melhor que a dália negra porque salma gorda-para-hollywood é mil vezes mais noir que as anaréxicas swank e johansson! blarghaaa!....).
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mas ainda falando em sexo, sabe como você pode fazer pra saber se tá fora de algum padrão? é checar se alguém poderia ter nojo só em pensar em transar com você.
tipo: um cara apolíneo como o brad pitt é o arquétipo do desejo. tipo transa mesmo without pau, saca? o brad pitt é um cara que tem o índice de nojo baixíssimo.
.
e falando em sexo e sonhos, há muito tempo eu sonhei que transava com um cantor famoso, só que o tal cantor famoso, no meu sonho, não tinha pau!!
no que
xreca in natura, mui sapientemente, me filosofou que se o sonho era meu, eu botava pau em quem eu quisesse, né?!
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no que eu tive que concordar.
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e o blog tá macumbado. tá com o encosto do caboco matadô, vixe!
eu já desconfiava disso, mas cada vez mais se confirma.
os casos a seguir ilustram bem a maldição que recaiu sobre este reloaded, em algumas épocas:

* publicado no blog:
que eu iria TENTAR entrevistar o grupo só gurias, quando estas vieram a pinheiro.
* efeito do vudú:
a fita rebobinou-se automaticamente e perdemos a entrevista gentil e mui solicitamente concedida pelas gurias.

* publicado no blog:
VÁRIOS ensaios e fotos do che guevara jr.
* efeito do vudú:
“o gato entrou chão adentro” (frase da minha mãe)


e isso sem falar em TODAS as coisas hediondas que acontecem quando eu coloco alguma coisa pessoal que me deixou feliz, etcs.

pois bem. mas até então, eu só desconfiava.
eis que estes dias chegou aos meus ouvidos que UM CERTO COELHO DE ESTIMAÇÃO, aqui do meu vilão de rua de chão na favela de cocrete pinto a sudoeste de bagualand, FOI MASSACRADO POR UM CACHORRO QUE INVADIU A CASA DO SEU DONO. e o tal queria processar o dono do cachorro, bla bla bla.
mas aí vcs me perguntam QUEM ERA o coelho? eu respondo:
o que a menina da foto segura,
neste post de páscoa.

bom, as mortes não têm atingido (ainda) pessoas.
por via das dúvidas, se vc chegou a ser citado nominalmente por aqui eu peço pra tomar cuidado redobrado, impressionante MEU DEUS!.
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fui numa loja de cds na minha incursão numa cidade com semáforo e ônibus circular.
(bagé, haha)
bem, eu gosto de ver os encartes dos cds que eu baixo da internet. queria ver o do dois quartos da ana carolina.
cada um dos quartos custa 31 R$
(hahaha)
e, atrás de ambos, há a inscrição “inadequado para menor de 18 anos”
(hahahahaha)
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e ainda os cds tavam com plástico e não deu pra ver o encarte, putz.
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tinha bolachão a 3,50R$, aquele do fausto fawcett.
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“maconha de 2, pó de 10”
3 rádios comunitárias de pinheiro fora do ar. e o ar “concedido” (por quem, senhor rousseau?? ai ai ai ai!), vazio.
radialista é tipo traficante.
traficando informação, hm?
qual o interesse? se vc tem um microfone na frente da boca e começa a questionar o status quo, cortamo os cabo, né??.
ou será que o coronelismo que sustenta uma sucupira nos piores moldes de 14 mil habitantes com só 20% na zona urbana (?) não se abala totalmente quando vê, no seu ar LÍMPIDO, vibrando ondinhas de DESCONFORTO com o seu governo?
é, isso aí. cada um censura do jeito que pode. e pruma cidade cú (porque ATRASADA, porque formada por gente PEQUENA, porque cidade PEQUENA) começar a pensar dá pobrema. então tira todo mundo da frente do microfone e da antena e põe nas esquinas. o grito vai só até o meio da quadra, estourando.
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o pelé fez o mil de penalti, o romário também.
o pelé fez o gol no canto tal, o romário também.
o pelé beijou a bola depois do mil, o romário também.
o pelé comeu a xuxa, o romário (_ _ _ _)
o pelé não foi ver a filha não reconhecida agonizando no hospital, o romário...
aguardemos.
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resumo da ópera:
o herói devolvido é meio péssimo (quando o mirisola faz questão de enfatizar que as mulheres que comeu são burras) e meio bacana (quando ele faz a gente se sentir burro). bom.
quando ele faz eu me sentir burra com as referências dele, isso quer dizer que eu preciso conhecer as referências dele pra pensar que quem eu como é burro porque não conhece isso?
hm.

o cê é meio estupendo, meio chato. mar de sophia e pirata são ruins, a bethânia, reproduzindo o que dão pra ela interpretar com a voz, é ótima (e só). dois quartos é metade bom, metade médio. a ana carolina eu não comia (medo.); o romário é uó. o pelé é um cú, futebol só é bom pra pagar de sapatão bofe de meião e calção.

os fugitivos é péssimo. salma no filme, pelo menos, me lembra a mildred do goodis, cigarro na mão do cotovelo roliço (ah!) escorado no balcão ensebado do lundy’s bar, na outra um caubói e os peitos estupendos saltando do decote.
e vai que ela ainda sabe
lisbon revisited de cor, né resola??? oiés.

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o lula, o chávez, a votorantim...

14.5.07

erasmão

"convida 2" é bondade, né? por baixo uns 10, pelo menos.


mas então o nosso erasmos carlos santana lança o volume dois da sua jamelância fazendo uso do timezinho que não se mexe de POP-STARS da nossa música popular cariosampa brasileira, tá ligado bishh? tá enteindeindo mêo?

a gente que ouvia todo o homem que sabe o que quer e sabe dar e querer da mulher, na rádio am quando o pai nos levava nos ombros pra ver jogo de futebol aos domingos, não consegue ser subversivo à lobotomia, adora e sucumbe.


(ah, erasmão tava no homenagem ao artista ontem, no raul gil.)
hoje começa mais uma peça de "magia".
SÊDE É NADA, in nome de ócus, de pócus et espírito santre ámen.

11.5.07

o que é a predestinação...

na vida da pessoa?
trabalho de texto aleatório do livro "os dez brasis", na aula de redação agora.
abaixo, o que caiu na minha mão.
e tirem suas conclusões, mas bem apressadas, por favor....



tá, eu não ia falar do papa.

mas o ratzinger não tá mais gordinho depois que assumiu a mitra?

o fantástico naquelas estatísticas toscas e totalmente manipulatórias da massa, agora domingo, apresentou uma tabela mostrando que os católicos em geral doam 1/3 do que os evangélicos costumam doar por mês pra sua igreja.
CLAAAAAARO! nós (?), a maioria (?) católica apostólica sincrética ecumênica do brasil somos MUITO MAIS espertos que os baba-bispo daquelas (todas outras) igrejas de crentes, né? CLAAAAAAARO! eles são bobocas, nós os iluminados é que acendemos uma vela pra ave maria e outra pra pingar no santo mamilo chupado de todo o dia amém.

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ah tá. o fantástico.
gostão do
zeca camargo. acho que é um folegaço moderno dentro do formato fantástico. gosto de tevê, não renego três vezes ante o tubo não senhor e inclusive acho que é um campo vasto pra disseminar coisa boa se houver intenção, e dentro do que eu gosto acho que o zeca tá se movimentando dum jeito bem menos desprezível que o resto todo.

seu EMPREGO (ou obrigado por fumar)

As três formas de alienação social
podemos falar de três grandes formas de alienação existentes nas sociedades modernas ou capitalistas:
1. a alienação social, (...)

2. a alienação econômica, na qual os produtores não se reconhecem como produtores nem se reconhecem nos objetos produzidos por seu trabalho. em nossa sociedade a alienação econômica é dupla:
em primeiro lugar, os trabalhadores, como classe social, vendem sua força de trabalho aos proprietários do capital (...). vendendo sua força de trabalho no mercado da compra e venda de trabalho, os trabalhadores são mercadorias e, como toda mercadoria, recebem um preço, isto é, o salário. entretanto, os trabalhadores não percebem que foram desumanizados e coisificados. (...)
a mercadoria-trabalhador produz mercadorias. estas, ao deixarem as fazendas, as usinas, as fábricas, os escritórios e entrarem nas lojas, nas feiras, nos supermercados, nos shoppings centers parecem ali estar porque lá foram colocadas (não pensamos no trabalho humano que nelas está cristalizado e não pensamos no trabalho humano realizado para que chegassem até nós) e, como o trabalhador, elas também recebem um preço.
o trabalhador olha os preços e sabe que não poderá adquirir quase nada do que está exposto no comércio, mas não lhe passa pela cabeça que foi ele, não enquanto indivíduo e sim como classe social, quem produziu tudo aquilo com o seu trabalho e que não pode ter os produtos porque o preço deles é muito mais alto que o preço dele, trabalhador, isto é, o seu salário.
apesar disso, o trabalhador pode, cheio de orgulho, mostrar aos outros as coisas que ele fabrica ou, se comerciário, que ele vende, aceitando ou não possuí-las, como se isso fosse muito justo e natural. as mercadorias deixam de ser percebidas como produtos do trabalho e passam a ser vistas como bens em si e por si mesmas (como a propaganda mostra e oferece).
(...)
3. a alienação intelectual, (...)”

CONVITE À FILOSOFIA - Marilena Chauí - - unid. 4: o conhecimento - cap. 7 - a consciência pode conhecer tudo? pág. 172.
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pesquisa veiculada ontem em vários jornais: quem é gordo e fuma tem cada vez menos chance no mercado de trabalho.
e eu fico me perguntando pelos que tomam remédio pra cagar toda a porra cheia de conservante e gordura saturada com a qual se serotoninam em desespero, pelos trincados na anfetamina xenicalórica (mas que, afinal, ainda conseguem estender a jornada de trabalho, não?), pelos que bebem a sua cevinha inocente nas happy derradeiras hours de zeca a zeca-feira...

no grande mercado de trabalho que abriga os indivíduos jovens e universitários e analisados e brancos-com-cabelos-lisos-estourando-encaracolados e de camisa-branca-mochila-ipod o critério de seleção (de raça operante) é muito simples. (é, esse de além do já falado ser magro e não fumar)
e ser solteiro.

gordura e fumo pressupõe alguém com tendência APARENTE à compulsão (ou a ponta do iceberg de toda a sorte de problemas psicológicos) e, portanto, INSEGURANÇA na tomada de decisões. e claro que o rh magro-vinte-e-poucos-que-acabou-de-comprar-o-celta-doismiledois também prima pelo APARENTE, enquanto selecionando, pra não ter trabalho, né?
ser solteiro pressupõe que a firma não terá que arcar com benefícios futuros pra quem transa (QUEM transa, hoje em dia?) com sua máquina contratada. antevisão do futuro! cartilha decorada da você s/a (haha..).

“se cuidar”, EXPOR a enxuta aparência a olhos vistos (olhos vistos a custa de MOINTA receitinha tarja preta, pode ser?) pressupõe que o cavalo comprado tá com os dentes em ordem. pressupõe que o DONO das futuras horas contratadas não terá o gasto com a MANUTENÇÃO da máquina.
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então nas firmas mais baguais (onde AINDA existem remanescentes dinossáuricos das épocas em que os métodos de montagem de máquinas de carne lego japoneses não tinham se alojado nos anelados esôfagos dos meio-chefes em repeat infinito) a política é ‘humilhar’ o fumante, designando para quem é marcado com esta chaga locais específicos, ridículos, de pé e no passeio de todos os demais funcionários IMPOLUTOS pro teatro do ‘como faz mal’ ser explicitado DIDATICAMEN TE. o método pretende que o fumante, com a exposição, “se envergonhe” e com isso decida parar de uma vez. (e alguém falou aí que o objeto (fálico) ostentado na mão também não é uma fuga pra quem é tímido? ãrram, mas é que nesta nossa sociedade Gran Circus Parque Fabril,
UMA, não são admitidas fugas (“fuga? como assim? bolo ao povo!”)
e
DUAS, não são admitidos os tímidos.
ser tímido é FALHAR como ser social. a FALHA é o capote do FRACO.)
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a moral é manter em stand by (A-P-A-R-E-N-T-E! NÃO ESQUEÇA!) seus leds de CORPO SECO, de ALVÉOLOS LIMPOS (câncer de maria joana, erasmão?) e de SEXO PROTEGIDO (protegido de amor, de vínculo, de contato), dar uma geral no tártaro e partir, fronte airosa e peito estufado, rumo à entrevista do seu futuro EMPREGO.

10.5.07

tava na esteira lendo o convite à filosofia da professora marilena chauí e lembrando da prova de redação e expressão oral que aconteceu há alguns dias. momentos antes da prova discutíamos uma parte da matéria (homônimos perfeitos, etc), a parte gramática foi simplíssima, porém. já o peso maior da prova foi gerar um texto com a proposta dada, a seco, àquela hora.
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tem uma crônica do vinícius que inicia o livro ‘
para viver um grande amor’ que fala sobre a dificuldade que acomete um escritor para gerar um texto, de vez em quando.
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entre postas e posts, o verbo se faz krne.
qual o momento ideal pra tirar um texto do forno, de dentro do ventre, do peito?
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tava na casa da minha mãe semana passada e no abrir uma correspondência que tinha chegado pra mim por lá me deu um tremelique geral e, nessas, acabei deixando espatifar-se no chão o vidrinho alquímico com minhas agulhas espiraladas de flagelo semanal aos nervos (santa metáfora, Senhor dos Sinais!).
agulhas da acupuntura,ok? ok.
bom, fui à folhinha de maio ver uma data que tinha a ver com a terrificante missiva e olha só o que tinha por lá:

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de falta de ênfase eu não morro.
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and let’s talk about.... relation ships! (e as minâncoras já recolhidas de pontas vermelhas fervendo e intumescidíssimas em intenção ao cruzeiro do sul, ai que seufosse um marinheiro era eu quem teria partido...!!)

well, mas falar desse assunto me remete sempre à minha amiga
carrie tupiniquim da silva, do sex and the city dos pobres. algumas coisas muito raras de relacionamento independem do sexo dos convivas (ei você aí: já tentou se relacionar com alguém que é tão idêntico a você mesmo PRINCIPALMENTE nas coisas horríveis que definem o nível dos sensores afastadores de pessoas para relacionamentos à sua volta? não? então tenta e depois vem me dizer se relacionamento é tudo igual!). bom, mas na época eu tinha pensado em fazer um the l word para lésbicas póóbres pobriiiinhas e jecas, de boné tb fake & camisa xadrez apertando a pochete nutrida a muita feijoada do sullll, da mesma forma tupiniquins, lógico, e que tivessem da mesma maneira dúvidas de cunho amoroso. o pseudo nome da consultora para os assuntos que apertam (firme) o(s) peito(s) seria algo como shane alguma coisa. shanereca? não! meio como doença: “mãe, acho que peguei uma cheinereca!”.
de qualquer forma, não batizei (habemos papa don’t preach, rú!) mas tava pensando numas coisas acerca de.
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“você é tão fácil de amar, e tão difícil de conviver”.
tipo, quando a gente pensa isso, é meio um “eu te odeio e o que que eu tou fazendo aqui”, né? bem, isso remete praquela máxima de que os opostos se (traem, e depois se) atraem: quanto mais longe das lentes acuíssimas dos nossos olhos do dia-a-dia, tanto mais POLIMENTO a IMAGEM da pessoa amada ganha e mais se deseja o que tá LÃ, no oposto nove, looooonge da platéia do teu púlpito particular de dentro de casa. (as palmas da claque diminuem com o tempo porque você fica sem graça ou você fica sem graça com o tempo porque as palmas da claque diminuem?)
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e já notaram como é ridículo (ainda que de praxe total) e como com o passar do tempo a “desatenção” com as NOSSAS coisas, por parte do outro, vai enchendo por demais o saco? e depois quando eu falo que o psicólogo (ou o ser que em troca de grana fruto da permuta do teu tempo por trabalho dispõe uma hora do próprio tempo para te OUVIR e emitir alguns grunhidos positivos e supostamente interessados sobre a TUA vida) é mais eficaz que qualquer dosagem de
fluoxetina (pó fazer o teste!), ainda me chamam de HIPÓCRITA.
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a humilhação é estranha. às vezes vc está deliberadamente humilhando alguém; está xingando, caçoando, tirando sarro da pessoa e ela tá nem aí pra tua INTENÇÃO.
e isso por que?
porque ela CRÊ que vc seria INCAPAZ de fazer mal a ela. ela tem uma IMAGEM bidimensional de todos os outros que a cercam e nesta concepção limitada não cabe a maldade nestes, até.... até começar a caber, sacam? (o cair da ficha pra discagem do 666-bah-!-o-mundo-não-é-bonzinho-!)
tem uma bendita hora em que a vida (junto) passa em um segundo toda ante os olhos e este é o momento que antecede a morte (do relacionamento). nesse momento de percepção vc começa a se dar conta do MONTÃO de crueldade pela qual SE DEIXOU passar porque achava que estaria sendo VOCÊ cruel se não acreditasse na PERFÍDIA ESCANCARADA do outro!
MAIS UMA VEZ eu reforço a teoria de que o amor (até o de amizade, ou o empenho febril no trabalho) é uma alucinação de responsabilidade EXCLUSIVA de cada um. o mundo é horrível (nietzsche, my dears! baixa a mãozinha aí) e OS OUTROS além de você são horríveis também, à exceção de um que outro momento epifânico de curtíssima duração.
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para irritar a pessoa amada existem várias formas porém algumas mais eficazes que outras.
por exemplo, faça o(a) outro(a) tomar ciência de algum diálogo seu com um(a) ex que você se dá ainda muito bem e no qual são faladas coisas que só vocês 2, no universo inteiro, poderiam saber.
a conhecida técnica da prova dos nove do disk seqüestro falso.
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observação: como eu li estes dias na traseira de um caminhão:
“eu desejo pra você o dobro daquilo que desejares pra mim”.
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entendido?
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o
convite à filosofia da marilena chauí é bárbaro.
tem uma parte que fala que as doenças da mente ocorrem quando há um surto descontrol no id ou no superego.
hmm...
(e a minha gangorréia crônica dentro da cabeça re
tum
ban
do

por aqui!!)
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(eu, ontem, contando moedas para comprar cacetinhos pra janta: )

“... tava te olhando”
“quê?”
“tava observando tu contar moedas! que engraçado: tu só pega as menores....”
“sim, porque quando eu for pegar moedas de novo, sei que vão ter só maiores que são mais fáceis de contar!”
“pois eu pego sempre só as maiores...”
“hm. e sabe por que?”
“?”
“porque tu é preguiçosa, querida! admite!”
“?”
“sim. eu sou neurótica (lua em virgem, remember?), então, eu prefiro gastar meu tempo AGORA me preocupando com todas essas miudezas pra prever um CONFORTO no futuro, com o achar só das moedas que eu tenho CERTEZA que são grandes e válidas!”
“será?’
“é, sim. todo o PREGUIÇOSO PURO SANGUE é um neurótico metódico e maníaco em potencial. olha por mim. eu procuro deixar tudo LIMPO, ORGANIZADO, FEITO, CONCLUÍDO, tudo OTIMIZADO, com vistas a que? a NÃO TER QUE ME PREOCUPAR EM FAZER ISSO NUM FUTURO, entende? sempre foi assim, em qualquer coisa que eu fiz: eu sou HIPERATIVA para poder relaxar num futuro.
e pensando por esse lado, todo o VERDADEIRO preguiçoso guarda a ilusão de FUTURO.
QUALQUER empresa que eu engendre com o objetivo de POUPAR esforço é visando o futuro. já o falso-preguiçoso - como tu - está a postos pra se tiver que UM DIA contar as moedinhas menores, só ali então ele o fará. ou, de outra forma, o falso-preguiçoso não pensa em futuro.”
“é?”
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bá, e o
los hermanos acabou, em?
e existe separação não-traumática? eu sou partidária daquilo de que (em qualquer tipo de relacionamento) “se acabou, é porque já tava acabado”. como li esses tempos no "quem sou" do perfil do
david(hm, já não tá mais lá...), “pra morrer, nasci”.
tudo acaba (ou ‘se transforma’, como preferem os punhetadores da filologia, blé!). então tudo o que começou, um dia acaba. o que varia é o jogo de cintura dos que tão no tabuleiro pra protelar o fim. (e quanto menor a vontade pra jogar a cintura...)
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e começa o inverno!
e o encosto do caboco cumedô se instala na pessoa.!
êta barrigão de mierda do carajo! hmpf.
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8.5.07

neologismos made in santre inquisición

Y habemos papa, schlept!

SHANE e CHICO,

fazendo pose e tipo lynchiano diretamente do front da fronha misturando várias e inusitadas tendências, cortesia do kitsch de camamesa&banho do enxovalho denise ritta

7.5.07

ontem de madrugadão na globo um filme que parecia muito bacana e que eu, me embriagando de uísque com guaraná e no meio de todo o samba & amor, aquelas coisas todas etecétera e pau, tonta julguei que fosse legal mas.
(filme com a cloë sevigny é SEMPRE legal!!??? hmm)
a trama se desenrolava numa redação de jornal e pelo que entendi uns estavam fazendo "estágio" na tal redação.
a cloë, uma hora, pega um texto de uma das que tão sendo testadas e xinga esta porque ela "mudou" o estilo. a guria justifica que o público quer um texto mais leve, mais cômico, etcs...
no que a cloë do fuuundo daquelas (!) olheiras larga um: "mas você NÃO É engraçada, fulana".
bã!

estilo é tão complicado, né?... eu acho que não sou engraçada (e nem séria!, ó céus, ó vida, ó azar! rs..).

ALIÁS, depois de umas aulinhas de redação eu já venho procurando um pé de couve que não vergue sob a tensão de minhas lautas 4 arrobas...

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o filme é O PREÇO DE UM VERDADE (shattered glass), segundo a grobopontocom.
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2.5.07

kurt vonnegut - café da manhã dos campeões



primeira vez que ouvi falar do kurt vonnegut foi numa coluna do jorge furtado no portal terra. ele recomendava todos os livros da criatura e eu como admiradora louca de toda a produção do gaúcho fui conferir a dica, óbvio. já tinha lido o matadouro n° 5 e agora a l&pm lançou “café da manhã dos campeões”. pelo círculo do livro, a rocco e a nova fronteira, porém, é possível comprar dele em português hócus-pócus e um pássaro na gaiola. pois bem. quem é admiradoraço de furtado e lê vonnegut começa a entender a lógica de algumas coisas como ilha das flores (AND caramuru AND o fabuloso destino de amélie poulan também, por que não?). recomendo. é cansativo como toda a obra de bom gaúcho metido a filosofador e engraçadinho que se preze mas com moderação dá pra encarar.





MARTINA NAVRATILOVA

“ quando comecei a viajar pelos estados unidos, percebi que me sentia melhor na companhia das mulheres do que dos homens. não se tratava de desilusão por causa da minha experiência na tchecolosváquia ou ressentimento generalizado contra os homens. (...) acho que tinha muito a ver com liberdade. quando me integrei regularmente no circuito, via uma porção de mulheres fazendo o que queriam. eu as via decidir sobre negócios, sobre tênis e sobre problemas menores, como onde queriam morar, o que queriam comer ou vestir, quais os filmes que desejavam ver. eram profissionais, e suas vidas nem sempre eram determinadas pelos homens.
dita assim, parece uma declaração política, mas na verdade não se tratava de dogma. eu apenas via algumas mulheres dirigindo suas próprias vidas e me sentia bem entre elas. naturalmente nem todas as profissionais a quem eu admirav
a eram homossexuais. nada tão simples. mas compreendi que tudo o que me atraía - social, emocional, intelectual e sexualmente - era relacionado com mulheres.”
(p. 151)


“nestes últimos anos, com todos os boatos sobre o lesbianismo nos esportes, li insinuações de que as mães das jogadoras mais jovens tinham tanto medo de que suas filhas fossem abordadas nos vestiários que as acompanhavam até aí. isso é invenção. a única mãe que vi no vestiário foi a sra. ausin, e tracy era tão tímida que nem andava de roupa de baixo na frente de ninguém.
vamos encarar os fatos: se as mulheres tiverem de ser lésbicas, não vai ser nos vestiários de tênis. sim, muitos vestiários são abertos e trocamos de roupa juntas. muitas vezes também as treinadoras fazem massagem nas tenistas, em uma mesa no meio da sala. algumas são mais recatadas do que outras, mas isso nada tem a ver com preferências sexuais. quando comecei a viajar, tinha horror de trocar de roupa na frente das outras. tinha vergonha do meu corpo, primeiro tão imaturo, depois tão pesado. não gostava nem que me vissem com roupa debaixo, muito menos nua.
depois de algum tempo começou a ficar muito complicado trocar de roupa no chuveiro, levar o roupão de banho pra todo o lado. não se trata de exibicionismo, mas quando se ganha a vida usando o corpo ele deixa de ter um significado místico. agora, muitas vezes ando nua pela casa.
(...)
mas as preferências sexuais das mulheres não se modificam nos vestiários. para começar, não creio que a percentagem de mulheres lésbicas nos circuitos de tênis seja maior do que a percentagem a nível nacional. e aposto que o mesmo acontece com os homens.
(p. 159)

“eu não me preocupara muito com o que meus pais poderiam pensar da minha vida particular. não fizeram perguntas quando tive uma companheira de quarto por algum tempo e provavelmente nada teria acontecido se eu não tivesse conhecido rita mae (brow). levei meus pais para dallas antes de conhecer rita mae e muito antes de pensar em comprar uma casa em charlottesville. mas em abril, quando disse que ia comprar outra casa, não gostaram da idéia. para eles era como ter uma casa em stuttgart e outra em lisboa. e então compreenderam por que eu estava comprando uma casa na virgínia.
- acho que você e rita mae estão vivendo como homem e mulher - disse meu pai certo dia, em dallas.
não quis mentir para ele, portanto disse que ele estava certo. ficou aparentemente calmo mas disse que eu precisava ler um livro sobre a minha “doença”, como ele a chamava. eu disse que ele também precisava ler um livro - que sua idéia sobre sexo estava com cinquenta anos de atraso. ele começou a me chamar de nomes, dizendo que preferia que eu fosse uma prostituta de rua.
para um homem tcheco até que ele não estava sendo muito intolerante. na tchecoslováquia chamam os homossexuais masculinos de “gente morna”, o que não é tão bonito quanto parece, e acho que nem têm uma palavra para lésbicas. as mulheres nunca saem do armário. na tchecoslováquia pensam que todas as lésbicas são mulheres feias demais para conseguirem um homem.”
(p. 198)

topei com a autobio da tenista tcheca martina navratilova. acima, alguns trechos onde ela relata os perrengues da aceitação sexual (o livro é de 85 mas de lá pra cá algumas coisas afinal nem mudaram muito, né não? meio como a anonanimidade (aquela que é BÔÔÔÔURRAAA) achando inacreditável que pessoas aptas socialmente à heteressexualidade "tornem-se" homos..)

MARTINA - martina navratilova com george vecsey - ed. guanabara - 1985