28.6.07
tudo dominado.
“havia algo profundo entre jack e eu, algo que ninguém compreendia ou mesmo suspeitava. a publicação de maggie cassidy me valeu muitos aborrecimentos. as pessoas me interpelavam na rua, os vizinhos faziam comentários. horrível. jack era tão doce. era um menino maravilhoso, e as pessoas de lowell não o compreendiam. nunca o compreenderam. ninguém lê aqui [...]”
depoimento de mary carney, namorada de jack kerouac quando este ainda morava em lowell, sua microcity de nascimento.
biografia jack kerouac, l&pm - yves buin - p. 212.
27.6.07
aí quando você se dá conta do quanto tributável, gorda & bêbada (tudo dá no mesmo) está, num dia triste de chuva vai pra rua se perguntar que merda anda fazendo da vida. a questão é o hábito. a questão - que eu não sei por que - é que todos os manuais de signos trazem o meu signo de cabeça como regendo pessoas bonachonas bons vivants galinhas e otimistas fervorosos (sobretudo fervorosos). enquanto que para depressões homéricas e afins eu tenho que ignorar o que a astrologia (e eu mesma) pensa e define de mim.
quando você se vê completamente engessado (sempre por livre e espontânea vontade, é bom ressaltar) num hábito que se tornou a-magnânima-bosta-do-teu-passar-de-horas, aí fodeu.
tá bom. os regidos por zeus execram hábitos com todas as suas forças. e os regidos por deus, feito eu, não conseguem justamente a força para mudá-los.
como numa fantasia horrenda dessas que me assaltam: você vai botar o lixo na rua e esquece sem querer (sem querer MESMO!) o gás ligado dentro de casa e a casa explode por descuido, sendo que dentro dela, naquele pequeníssimo intervalo de tempo, estava quem você anda amando loucamente desta vez, e seus animais de estimação. bom, tudo explode dentro de casa, e além da tragédia das VIDAS que foram perdidas, o de pior que o sinistro limou foram as dedicatórias recebidas nos seus livros (porque eles dá pra comprar de novo). nisso, dentro da fantasia, eu volto correndo pra dentro de casa e vejo que não deixei o gás aberto. existem ene jeitos de matar a pessoa amada e a própria vida mas o mais idiota que possa querer assaltar INVOLUNTARIAMENTE a nossa mente é esse daí porque a culpa é insuportável (há casos de lapsos nesse nível).
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quando o estado de nervos atinge seu ápice-mor a gente fica muito tranqüilo. como em todos os filmes onde os psicopatas andam pela rua sob alguma sinfonia clássica, etc: é por aí.
quando você ultrapassou a barreira dos nervos tudo fica muito calmo, tudo fica tão bonito! se o dia resolver acabar no momento seguinte parece que isso não vai ser problema mesmo.
porém, PROBLEMA!: a barreira de nervos é incompatível com o hábito.
bom, talvez só com o hábito de não ter o mais vago plano para as próximas várias horas de vida vestido de corpo. mas aí não se ultrapassou AINDA a linha do desespero: tem ainda o friozinho de o “com que se preocupar”.
ultrapassar a linha do desespero MESMO é flanar feliz.
[ prosa ]
26.6.07
25.6.07
brasil pandeiro...
a matéria consistia de CINCO FRASES da criatura e + trechos de 2 músicas.

“(...)PORQUE PRA MIM, FAZER MÚSICA TEM QUE SER ASSIM”.
a pérola da frase nº 5, cuidadosamente numerada pela reportagem, da loira já entrada nos enta.
Óbvio. fazer música, pra ter graça, tem que ser assim mesmo: com pré-lançamento de disco em programa bundão catequizador que pega do oiapoque ao chuí no domingo santo de cada brasileiro e ainda a cantante ganhando status de gostosa e de símbolo sexual.
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ah é. o caos dos aeroportos. não é só no brasil não. em qualquer lugar do mundo pra qualquer bosta alçar o status de NÍVEL CAÓTICO tem que enfiar eletrodo nos genitais da classe que tem grana. paradoxo dos paradoxos.
sabe o caos de quem tá com um doente terminal e não tem plano de saúde pra evitar que o tal do ente querido fique sangrando feito um porco na ante-sala dos ps’s podres por aí afora? tipo o tiozinho que é caminhoneiro mas que também tem seus vôos cancelados país afora pelo cartel do combustível e o número cada vez mais cistítico de pedágios espalhados como praga? e os pequenos que moram pro interior (nossa, perto de mim SALTA muito mais criança sem escola que o aeroporto que, mais próximo, fica a 400km?? pressionante!) e que não têm transporte pra estudar..?
CHAOS ALERTA VERMELHO!! UNHÓUNHÓUNHÓUNHÓUN!! o fermento da imprensa tem a mesma fórmula incógnita da coca-cola.
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ainda no fantástico a estátua do pelé que teve seus braços de milo amputados.
ter que buscar um naco do ouro da jules rimet de volta pra terra brasilis depois de todo o que foi DOADO por livre e espontânea pressão por nosotros nos antigamentes através de 11 correndo atrás da bola?
no, thanks, camaradas.
O HOMEM DUPLO - richard linklater
tudo infinitamente menor ante os cânones da porra (“ARTE”, etc).
o homem duplo é uma obra em cima do livro de philip k. dick (“burroughs, que alguns apontam como o escritor mais inovador e o mais original do “bando” [geração beat], nunca se desviou de seu objetivo: o estudo do controle do psiquismo e dos meios empregados para tal efeito. é um fervoroso leitor de ficç
ão científica (inspira philip k. dick) e apreciador das tecnologias avançadas(...)” - biografia jack kerouac
, l&pm, p.88 - tá começando a entender..?)), o homem scanner e trata basicamente daqueles temas os quais nós, os menores, os consumidores de popices (ser loser É pop, tinha alguma dúvida disso????) gostamos.o linklater tinha feito antes, no mesmo “formato”, o filme waking life que é tri bacana.
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a propósito:
“105.
Vence só quem nunca consegue.”
O LIVRO DO DESASSOSSEGO - fernando pessoa - p. 132
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pra suportar viver tem que ter mais coisa junto. tou cagando pra te conhecer, não tou a fim da tua opinião. pra eu chegar cá nesse meu alto de onde eu enxergo tudo ridículo e medíocre eu não precisei da tua opinião. então o MÁXIMO de contato que eu permito pra não me agredir é esse DOUTRINADOR daqui. quando eu não entendia nada e queria me matar sem entender absolutamente nada ninguém me explicou. agora não venham me pedir as explicações que ninguém me deu: é mais patético se matar na ignorância ou na preguiça?
então cá de cima, acima da insignificante opinião (mesmo a isenta de qualquer tipo de inter-relação comigo, o que muda COMPLETAMENTE o viés da opinião SEM MÁCULA que você pode vir a ter sobre mim ANTES de entrar em contato físico, psíquico, etc, com a minha “pessoa”) que você tenha sobre qualquer coisa eu (somente agora, cá de cima) tenho pé direito suficiente (a-r-g-u-m-e-n-t-o) para me jogar.
antes, não.
não recomendo a ninguém, desistir, se não sedimentar muito bem antes os seus motivos (e isso implica solidão).
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porque se você vir um filme que achar interessante eu não vou achar interessante ir até a sua casa para que você me conte. porque você, mais que palavra (impressa, acessável e manuseável ao meu bel-prazer (e isso mesmo até por ali)) não me interessa, portanto eu não te procuro.
dos vários tipos de solidão existentes a mais divertida (penosa! penosa! penosa!), sem sombra de dúvida, é a obtida pelo ódio.
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devendo até as calças na locadora vi rocky o último emprestado, ontem. imaginei mais
óbvio que todos os outros porém neste o garanhão italiano todo esbudegado não ganha no final.acho que é muito fácil se medir por “marcos”. ser vencedor por “conseguir” determinadas coisas. tem coisas que não dá pra quantificar. há um caso de pagar para estudar e rodar. agora há quem paga com grana pra se foder direto na vida (dentro da “própria casa”), ou ser romântico e corneado, ou levar ferro do patrão ao vizinho ao pai. rodar na vida pagando dá no mesmíssimo mesmo.
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tinha um poema:
agora eu vou me mudar para a morte
e
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23.6.07
aquela dívida....
os governos tão sempre quebradíssimos, as empresas com seus rombos de bilhões e, para todos estes, o sol sempre dá um jeitinho de nascer no dia seguinte (e, o mais trágico: dia belo este SEM ter sido antecedido por uma madruga gigantemente insone!)
é só o pobre que não pode dever, que não pode dar calote, que tem que se confinar dentro dos seus limites magérrimos de renda e, por conseqüência direta, ter que ficar desviando as ruas pra não passar na frente dos lugares onde tá devendo (confesso que minhas - raras - rotas já andam viciadas: ter grana para saldar os compromissos amplia os horizontes da gente!)
é engraçado isso. aos grandes sempre salta da moita, na hora do sufoco, algum refinanciamento mágico da dívida em duzentos anos e, mesmo quando metida até à narina na merda geral, a PESSOA JURÍDICA dificilmente se mancha no mercado. já pra pessoa física ser apontada como caloteira basta passar um milimetrozinho ASSIM de seus ideais ascéticos de vez em quando: experimenta aí pra ver!
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tava pensando numa quadrinha, esses dias cujo título, sugestivamente, seria “eu sou 157”
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(“o livro do desassossego, fernando pessoa (aka bernardo soares)”)
“56.
O sócio capitalista aqui da firma, sempre doente em parte incerta, quis, não sei por que capricho de que intervalo de doença, ter um retrato do conjunto do pessoal do escritório. E assim,
anteontem, alinhámos todos, por indicação do fotógrafo alegre, contra a barreira branca suja que divide, com madeira frágil, o escritório geral do gabinete do patrão Vasques. Ao centro o mesmo Vasques; nas duas alas, numa distribuição primeiro definida, depois indefinida, de categorias, as outras almas humanas que aqui se reúnem em corpo todos os dias para pequenos fins cujo último intuito só o segredo dos Deuses conhece.Hoje quando cheguei ao escritório, um pouco tarde, e, em verdade, esquecido já do acontecimento estático da fotografia duas vezes tirada, encontrei o Moreira, inesperadamente matutino, e um dos caixeiros de praça debruçados rebuçadamente sobre umas coisas enegrecidas, que reconheci logo, em sobressalto, como as primeiras provas das fotografias. Eram, afinal, duas só de uma, daquela que ficara melhor.
Sofri a verdade ao ver-me ali, porque, como é de supor, foi a mim mesmo que primeiro busquei. Nunca tive uma ideia nobre da minha presença física, mas nunca a senti tão nula como em comparação com as outras caras, tão minhas conhecidas, naquele alinhamento de quotidianos. Pareço um jesuíta fruste. a minha cara magra e inexpressiva nem tem inteligência, nem intensidade, nem qualquer coisa, seja o que for, que a alce da maré morta das outras caras. Da maré morta, não. Há ali rostos verdadeiramente expressivos. O patrão Vasques está tal qual é - o largo rosto prazenteiro e duro, o olhar firme, o bigode rígido completando. A energia, a esperteza, do homem - afinal tão banais, e tantas vezes repetidas por tantos milhares de homens em todo o mundo - são todavia escritas naquela fotografia como num passaporte psicológico. Os dois caixeiros-viajantes estão admiráveis; o caixeiro de praça está bem, mas ficou quase por trás de um ombro do Moreira. E o Moreira! O meu chefe Moreira, essência da monotonia e da continuidade, está muito mais gente do que eu! Até o moço - reparo sem poder reprimir um sentimento que busco supor que não é inveja - tem uma certeza de cara, uma expressão directa que dista sorrisos do meu apagamento nulo de esfinge de papelaria.
O que quer isto dizer? Que verdade é esta que uma película não erra? Que certeza é esta que uma lente fria documenta? Quem sou, para que seja assim? Contudo... E o insulto do conjunto?
- “Você ficou muito bem”, diz de repente o Moreira. E depois, virando-se para o caixeiro de praça, “É mesmo a carinha dele, hein?” E o caixeiro de praça concordou com uma alegria amiga que atirou para o lixo.”
trecho bárbaro de meu já totalmente riscado “livro do desassossego”. pessoa é gênio pra caralho, obra foda, amo de morrer!!!!
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drops de anis.
enquanto escrevo, na tevê (sempre ela! onipresente!) roda a novela das seis e me aparece uma maria flor com as melenas tosqueadas! BLARGH, FICOU PÉSSIMO! ela ficou muito velha!
e enquanto ela tá montada num cavalo tendo um imenso prado de fundo, assalta-lhe à memória um flashback em sépia de quando era “mocinha”, ainda com as longas e inocentes madeixas. ela e quem? o thiago lacerda com o mega hair mal aplicado (embrulho! ai que essa novelinha CAPRICHOU na tosquice capilar!) da primeira fase da novela.
momentos de reflexão: gostar de homem, ok. agora gostar do thiago lacerda (!) com aquele cabelo (!) já ultrapassa todos os meus limites de compreensão antropológica.
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ahh! esses dias com uma mega dor de cabeça na madrugada seqüente a um jejum desfeito por uma inocente beer às 3 da tarde e mais algumas outras nas horas posteriores do dia anterior peguei um documentário do national kid geografic sobre “a paixão entre homens e mulheres tendo como fim a reprodução” e não preciso nem relatar o meu profundo mal-estar. comentarei com calma ora dessas o que eu acho sobre a atração entre machos e fêmeas tendo como fim a reprodução.
documentário simplista e de extremo mau gosto, como aliás de extremo mau gosto também a chamada para um programa do tipo “por dentro da concepção” onde a seqüência de imagens mostra vários fetos humanos e é concluída por um feto de elefante. genial, né? (grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
20.6.07
livrísticas
nem precisa dizer que eu me atraquei e nem precisa, também, que foi difícil escolher entre os “plus” porque tenho quase todos (rs..).

mas eis que entre os vários, comprei o “USE E ABUSE DO SEU SIGNO”, da marília pacheco fiorillo e marylou simonsen. saca um trechinho do início pra ver por onde que elas vêm!:
“se há algo fora de dúvida, nestes tempos turbulentos que ocorrem, é a absoluta eficácia da astrologia, se comparada a outras ciências contemporâneas.
a ciência econômica, por exemplo, só tem dado bola fora: quando seus arautos prevêem que o dólar vai estabilizar, o dólar mergulha em queda livre; quando apostam que as privatizações vão modernizar os serviços, os pobres clientes se tornam reféns de serviços podres; e se por acaso chegam ao poder, com promessas de uma virada econômica, colocam em prática a mesma, mesmíssima, política econômica para o nosso azar.
conclusão: não há maior amontoado de superstições e equívocos que a ciência econômica. (...) a economia, assim, é talvez a mais esotérica das ciências: etérea, avoada e totalmente inexata. não dá para confiar nela, porque suas profecias nunca funcionam. já a astrologia, embora pareça algo incrível, do outro mundo, é tiro e queda. dificilmente erra: leia e comprove.”
hehe... e como às definições para o meu signo lidas no decorrer de toda minha vida eu credito quem eu sou hoje, A-D-O-R-E-I (especialmente pelo tópico “o presente que vai derretê-lo”: “aquele que estiver de acordo com o seu último hobby. uma orquídea gigante se for jardinagem. crayons franceses, se for desenho. este livro, se for astrologia”.)
e olha “a biblioteca do sagitário”:
“o arqueiro é um devorador de livros só comparável ao geminiano, e capaz de uma concentração digna de um virginiano. mas é ligeiramente mais tendencioso, preferindo as sátiras, ou a filosofia, o que vem a dar na mesma”.
recomendadíssimo pra quem é rato no assunto (astrologia disfarçada de humor!!!!). não quer arriscar? bom, azar o teu, depois não diz que eu não avisei...
(porque, afinal, a frase típica do meu signo, segundo o livrete é: “tenho sempre razão e estou sempre certo! (um sagitariano modesto)” )
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o mais recente lançamento da l&pm biografias é a do jack kerouac, ganhei de presente e já estou a comê-la avidamente. no pierdan....
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no supermercado BIG, se vc procurar bem, entre os livros agora há uma série de títulos em oferta e o que que eu acabei encontrando? “LITERATURA MARGINAL - TALENTOS DA ESCRITA PERIFÉRICA”, organização de sr. ferréz para um especial da revista caros amigos, e que agora foi lançada pela agir. ponteei o primeiro conto, mas só pelo tom (hmm... sei lá.. eu uso muito este tom também mas às vezes me soa como um “não quero porque quero”, assunto a desenvolver) dá pra ter noção do que vem:“somos contra sua opinião, não viveremos ou morreremos se não tivermos o selo da aceitação, na verdade tudo vai continuar, muitos querendo ou não. (...)
estamos na rua, loco, estamos na favela, no campo, no bar, nos viadutos, e somos marginais mas antes somos literatura, e isso vocês podem negar, podem fechar os olhos, virar as costas, mas, como já disse, continuaremos aqui, assim como o muro social invisível que divide este país”
né.?
procura aí no supermercado big se houver supermercado big na sua cidade marginal pra garantir a tua coletânea.
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tou lendo irritadíssima, como falei agora há pouco, o “as veias abertas da
américa latina” do eduardo galeano (se fosse presidente por um dia, mandava incinerar os livros didáticos de história que são dados nos colégios e substituir pelo as veias, hmpf.) e não é que eu acho um livro lindo, lindo, lindão, no sebo do zé carioca (andrade neves quase bento), chamado “SE ME DEIXAM FALAR”. trata-se do depoimento de uma mineira boliviana, DOMITILA BARRIOS DE CHUNGARRA, para pesquisadora social e educadora moema viezzer, natural de caxias do sul/rs e que lançou projetos do cunho “pesquisa-educação para mulheres” e “a mulher operária nas indústrias para exportação”.
olha o que moema fala: “a idéia do presente depoimento surgiu da presença de domitila na tribuna do ano internacional da mulher, organizada pelas nações unidas e realizada no méxico em 1975. (...) sendo a única mulher da classe trabalhadora que participou ativamente na tribuna representando a bolívia, suas intervenções produziram um profundo impacto entre os presentes. isso se deu, em grande medida, porque “domitila viveu o que as outras falaram”, segundo o comentário de uma jornalista sueca.este relato, que domitila considera a “culminação” de seu trabalho na tribuna, é o grito de um povo que sofre porque é explorado. ademais revela como a liberação da mulher está fundamentalmente ligada à liberação sócio-econômica, política e cultural do povo e que sua participação no processo se situa nesse nível. (...)”
iá!! e olha QUEM recomenda o livro, na contracapa? o próprio galeano (“este livro é uma história de vida: de uma pessoa, de um país e de uma classe social (...)”)
bacana, né?? e o mais bacana? 7 modestos pilinhas.
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e falando em música, topei com o show 1000 trutas 1000 tretas de los racionaes! a abertura com sr. jorgeben.
então não tás com tempo pra ler as veias abertas da américa latina? faz o seguinte: joga no dvd esse disquinho e deixa rolar, prestando bem a atenção no que fala o mano brown, tá bão??

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a contratodos radio tá abandonada às traças...
bom, anota aí o que que eu tenho ouvido, se vc não ouviu ainda dá uma conferida pra ver se a pessoa centáurica que tá sempre certa (a não ser quando se dá conta por conta própria que tava errada! haha) não tem razão:
- MART’NÁLIA - menino do rio

oiça, em ordem: (pra manter o partidão)
07 - sem perdão a vida é solidão
06 - boto meu povo na rua
12 - casa um da vila
13 - casa da minha comadre
(aí depois, infalível pra “catá tua mina” (HAHAHAHAHAHA... horrível isso! mas as músgas são foda para o sugerido fim, mesmo):
09 - pretinhosidade
10 - soneto do teu corpo
05 - cabide
(e aí, pra finalizar...)
11 - pára comigo
o disco tá UM DISCÃO! tá que fica essa coisa chata lésbica de se sentir afim da música só porque sempre foi raro vc ouvir em disco o amor que não ousa cantar o próprio nome, mas foda-se, essa “coisa lésbica” tá atrelada, INVARIAVELMENTE, à qualidade do som então eu me permito isenção suficiente pra falar MUITO BEM do disco de madame mart’nália.
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outro que eu tenho ouvido bastante é o sim e não do nando reis, mas é meio como o título sugere: tem umas músicas que “sim” e outras que “não” (rs...)
as SIM, então:
03 - espatódea
05 - n
06 - nos seus olhos
09 - santa maria
e a já batidíssima (já enjoando), 11- sou dela (já em declínio na curva das expectativas flutuantes lá do zeca camargo).
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já falei do mombojó por aqui mas convém requentar: a 04-realismo convincente é uma das melhores coisas às quais colei minhas filosofias metafísicas nos últimos tempos:
(além de citar “tô”, de tom zé, eita:)
EU QUERO SER VOCÊ (EU QUERO SER VOCÊ)
EU QUERO SER VOCÊ (EU QUERO SER VOCÊ)
EU QUERO SER VOCÊ (EU QUERO SER VOCÊ)
EU QUERO SER VOCÊ (EU QUERO SER VOCÊ)
EU PRECISO SAIR DAQUI
EU PRECISO PARAR DE MENTIR
EU PRECISO SALVAR O MUNDO
MESMO QUE EU NÃO GANHE NADA COM ISSO NÃO.

(realismo convincente - mombojó - disco: homem espuma)
eu to ficando cego pra poder guiar....
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e vcs já ouviram “VAI WILSON VAI”, da/do (?) MC GRIZANTE?
cover de I will survive, ando (ok! rs) ouvindo direto. quem quiser pegar, vem aqui.
aborto legal
na medida em que ia lendo, um comichão me tomava para poder reproduzir aqui a matéria mas, ai! revolucionária-anarquista-de-faz-de-conta!, não consegui coragem suficiente para rasgar, dissimuladamente, a página da revista na frente dos outros da sala de espera... (e também porque isso evitaria que mais pessoas pudessem ler um dia como eu li)
então o jeito foi, no melhor estilo pata hari, com o celular em punho fotografar os t
a reportagem conta a peregrinação em são paulo de uma mulher com câncer para fazer um aborto considerado legal por lei. e quando chego no rodapé da página qual não é a minha surpresa ao notar que o trabalho foi da eliane brum, cujo “a vida que ninguém vê” eu já me urinei toda por aqui recomendando (e repito que este precioso livrinho é obrigatório).
só que a matéria que vai a seguir deve importar a muito poucos, só àqueles que não tem meios para descobrir seus direitos e os empáticos a tanto útero carneado com dona e tudo ilegal e resignadamente por todos nós, por aí.
UMA LEI INVISÍVEL
os brasileiros - e até os profissionais de saúde - não sabem o que é o aborto legal nem que hospital procurar.
Eliane Brum
Primeiro, Lucineide de Queiroz sentiu dor no olho ao lavar o rosto pela manhã. Depois, ela percebeu que a menstruação havia atrasado. As duas notícias, a dor do câncer e a gravidez do segundo filho - “para completar o casalzinho” -, vieram quase juntas. Com o resultado da biópsia, Lucineide recebeu uma carta do médico informando que era necessário interromper a gestação para realizar o tratamento. A lei brasileira permite o aborto em dois casos: risco de morte da mãe e gravidez resultante de estupro. Aos 37 anos, Lucineide teve que escolher entre lutar pela própria vida e abortar um filho que desejava. “Foi difícil. Mas o pior para nós foram os ‘não’”, afirma seu marido, Marconi Florentino de Queiroz.
Lucineide e Marconi viveram o drama revelado pela pesquisa do Ibope, divulgada com exclusividade por ÉPOCA: a maioria da população desconhece em que casos o aborto é permitido. E ninguém - zero - sabe onde pode ser realizado. A pesquisa foi feita a pedido da ONG Católicas pelo Direito de Decidir (CDD). “O aborto legal é semiclandestino no país”, diz a psicóloga Rosângela Tahb, da CDD, “Não só a população é mal informada, como os serviços são invisíveis. As mulheres são constrangidas e precisam peregrinar de hospital em hospital, às vezes de um Estado para outro para conseguir algo a que têm direito por lei. Sem esquecer que ao fazer isso estão grávidas do estuprador ou têm risco de morte.”
Lucineide e Marconi viveram esta dor. Seu testemunho mostra que não é só a população que desconhece a lei e serviços mas também os profissionais da saúde. É Marconi, que ganha a vida colocando azulejos, quem conta: “Era só “não”. O médico disse que ela tinha câncer e perguntou se eu tinha dinheiro para fazer o aborto em clínica, porque senão ia precisar botar a Justiça no meio. Eu falei que dinheiro não tinha, mas arrumava. Botei a Lucineide no carro de um amigo. Fui em três hospitais de Guarulhos e cinco de São Paulo. Num o médico disse que ele salvava crianças, não tirava. Quando a Lucineide não agüentava mais a dor no olho, a gente passava num posto e faziam injeção nela. Foi uma semana inteira. Era só ‘não, não não’. Quando chegamos no oitavo hospital, decidimos que naquela noite a gente não ia voltar para a casa. Dali, a gente ia pra delegacia, pro fórum, não sei pra onde. Aí nos informaram que o Hospital de Jabaquara recebia o caso dela. E foi a primeira luz. Chegamos lá e ela foi internada. Todas as luzes se acenderam de uma vez.”
Lucineide e Marconi viveram este drama em São Paulo, que conta com alguns dos melhores e mais antigos serviços de aborto legal no país. O Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara, criou o primeiro serviço em 1989. “Recebemos mulheres do Piauí, de Goiás e até Rio de Janeiro. Tentaram lá e não conseguiram. São todas pobres, mas dão um jeito de chegar até aqui”, diz a assistente social Irotilde Gonçalves Pereira. “Aprendi que falta de informação também leva a morte.”
No dossiê sobre aborto legal, alguns profissionais disseram à equipe do CDD que o único jeito de manter o serviço funcionando era agir como se ele fosse quase clandestino, sem divulgá-lo. “Era o jeito de evitar que fossem atacados por grupos religiosos contrários ao aborto”, diz Rosângela. O obstetra Edvardes Gomes, de Campo Grande, MS, conta que em 2004 ficou três semanas peregrinando com uma menina de 13 anos, grávida de estuprador, até conseguir internação para fazer o aborto. A lei é de 1940. Na maior cidade do país, Irotilde é chamada de “aborteira”, recebe cartas anônimas e já atiraram ovos em sua casa. O médico Jefferson Drezett, coordenador do serviço de aborto legal do Hospital Pérola Byington já foi chamado de “assassino” e “feticida”. “Não ligo. Essas mulheres têm o direito legal de ser bem cuidadas. E é o que fazemos”, diz.
Aborto é assunto espinhoso - especialmente em período eleitoral. Em busca de estatísticas detalhadas, ÉPOCA ouviu de uma assessora de imprensa do Ministério da Saúde que a única pessoa habilitada a fornecer os dados (públicos) e informações sobre o tema encontra-se na Nicarágua. A assessora também se recusou a enviar a norma técnica que dispensa o Boletim de Ocorrência (BO) policial em caso de aborto por estupro. Disse à repórter para procurar a internet. O dossiê da CDD mostra que de 2004 para 2005 a exigência de BO pelos hospitais baixou de 70% para 32%. Esse um terço que ainda pede documento desrespeita o Estado e obedece a um órgão de classe. O Conselho Federal de Medicina (CFM) mantém parecer em que orienta os médicos a seguir exigindo o BO. “Nós não temos que obedecer a um órgão governamental”, diz Pedro Pablo Chacel, diretor do CFM, “Não vamos entrar no fogo por causa do Ministério da Saúde.”
trecho do bastante lúcido (e bastante raro, catei em sebo) “O LESBIANISMO DO BRASIL”, de luiz mott.
p. 88, ed mercado aberto.
13.6.07
blogger way of life!
Lembro que há um tempo, em uma de minhas incursões na paulicéia desvairada, fui bem alertada para o fato de poder viver de um blog, num dos muitos e intermináveis intervalos do levantar às 11 horas e depois de meu lauto breakfast a ficar no computador fazendo tirinhas enquanto ouvia o Paulo Maluf no horário eleitoral.
Apesar de que se isso, na época, era para soar só como brincadeira não deu certo porque eu desconsiderei e acabei botando fé na peruca e acreditando mesmo ser possível.
Por que não?
E se um dia a best seller de blog Denise Ritta volta ao seu pago depois de ser traduzida por tradutor automático para mais de 125 países? E aí muita fama, e champanhe e mulheres que me maltratem e bomba liberada no posto de gasolina tudo por conta do meu enorme sucesso!
E então, já no futuro, será possível autografar/autenticar de alguma forma o conteúdo da minha obra para quem me solucionou lá no passado como geradora de blog deixando assim a pessoa embasbacada pela sua incrível visão de futuro: GENIAL!!.
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vai virar tira, certamente. É que eu tou aqui na lan house longe da minha house e sem minhas ferramentas e ambiente de (mal-)criação (haha).
Mas fico pensando o porquê de as mulheres tornarem-se definitivamente lésbicas. E a resposta é bem simples: mulher não gosta de transar.
Mulher não gosta de transar mesmo. Ok, salvo casos omissos de se ficar imobilizado com gesso de perna inteira numa cidade encravada no cume do mais longínquo dos Pirineus por quatorze meses a mulher poderá temporariamente entrar numas de uma maníaca sexual, mas isso dará e passará muito em breve porque o custo-benefício duma relação sexual é muito alto e por não ser uma atividade solitária, o sexo torna-se invariavelmente muito cansativo na vida da gente.
Então a mulher vira lésbica porque ela sabe que não vai precisar transar nunca, porque ou:
1) ela não está a fim e não vai ser procurada pela parceira que também não estará a fim ou PIOR
2) ela vai SE INSINUAR pra parceira dela como se (falsamente) estivesse com vontade de transar mas sabendo que esse ardil só servirá para deixar a outra mal por ter que rejeitá-la (porque se fosse para qualquer outro sexo que é entusiasta de que os instantes da foda são tudo na vida ela NUNCA ousaria se insinuar sob pena de TERQUE transar mesmo).
É por isso. Mas vou elaborar em figurinhas pra ficar mais fácil de entender.
"cai a tarde que é sem fim...."
mas eu bem que pautava meus horários pelo programa de fofocas do leão lobo, que era às quatro e meia. depois dava a superprodução da band, a novela amores proibidos que não era de se jogar fora (em comparação às da “vênus”, pfff...).
mas eis que há alguns dias começou a pegar o sbt em bagualand town. e então, após o leão, eu passava para lá para pegar o programa “casos de família”, com a (impassível) regina volpato.
e o formato é o seguinte: a cada programa são mostrados três casos que merecem
debate por
estarem “fora da normalidade”. e a pessoa problemática em questão é levada por alguém de seu círculo de relações que tenha julgado que o comportamento desta merece ser discutido em um programa de auditório de tarde na tevê. e então a platéia, sempre indignada, dá seus pitacos no decorrer da atração cujo desfecho é dado com um parecer dum psicólogo geral de plantão e um comentário filosófico da inexpressiva (e um tantinho debochada) volpato.nada que não se conheça, né?
inclusive, esse formato é velho conhecido desde que a tevê contou com o “programa da márcia”, que foi estreado em 96 (acho) no próprio sbt.
só que a partir desta segunda fiquei um pouco nervosa. tendo acabado a novela da band, acho que expulsaram a troiana da grade (e agora COMO eu vou ficar sabendo como me proteger dos maus espíritos compressores segundo as lições da terroróloga que tinha na troiana, meu deus?) e o leão lobo deve ter ido pras três e meia (hoje já é quarta e não consegui me achar no horário). então no horário que antes era dele começa o programa ressuscitado de QUEM??? da PRÓPRIA: a melhor encarnação do pior que se possa ter em programas de sensacionalismo marrom, a márcia do antigo “programa da márcia”!!
como não tinha jeito, assisti ontem um a pedaço, então.
o primeiro caso era duma mulher que só gostava de ser amante e foi levada por uma prima porque a criatura estava dando em cima do próprio tio (o pai da tal prima). a ré na arena afirmava para a márcia e público que ficava com caras casados porque não queria ninguém pegando no pé dela depois de transar e que não queria saber de gente falida que não pudesse a levar de carro prum motel de vez em quando tudo o que, aliás, passa a pouca distância daquela sinceridade desejável que anda tão em desuso nesses nossos dias de hoje.
o outro caso , ouvi lá da cozinha, tratava-se de uma ex-misse de 2002 (de fortaleza?) que iria contar uma coisa horrível que aconteceu na vida dela.
então a márcia começava a dizer que era um absurdo o que tinha acontecido com a guria, que a gente se preparasse que a história era fortíssima.
e eu, entre a colheita de laranjas e bergamotas das suntuosas árvores cá do pátio com um gancho surrupiado que “descobri” (eufemismo) entre as coisas particulares do meu senhorio e o esquentar da água para o mate da tarde, fiquei pensando com meus botões COMO NÃO SERIA que a guria tava. vim na tevê pra ver as fotos e a tal miss era, na época, como qualquer outra que eu tenha registrada nessa classificação no meu hd mental. mas e agora? COMO ela não taria agora ante a visagem da apresentadora, deus do céu?
pensei que a guria poderia ter sofrido algum acidente horrível que tivesse desfigurado a cara, ou que taria gordíssima, embarangada. ou com alguma doença, etc etc etc...
e fiquei na expectativa.
então após o caso da mulher que era serial amante ser encerrado (com a “promessa” firmada no ar pela mesma de tentar mudar), uma márcia goldschmidt muitíssimo preocupada com (a audiência d’)o caso da misse falou que a guria tava chorando cântaros no camarim e não conseguia vir ao ar.
noves fora zero, eu plantada na frente do engodo da tevê (não aprendo nunca!), me aparece a mulher só que... NORMAL!. sabe o que que aconteceu? ela TINHA TIDO uma anorexia mas agora já tava se recuperando, etc etc etc..
ah, váááá (tomarnocú!!!!!!!!!)
à falta já há muito tempo de controle remoto em minha 14 polegadas da copa de 94 (minha contribuição ao jeito de vida não-sedentário ao qual tanto somos estimulados), cliquei no botão do canal do sbt e adivinha qual que era o tema do programa da volpato de ontem?
“eu engordei horrores, só como e não consigo emagrecer”
BINGO!... qual o programa que vcs acham que dá mais audiência? é ÓBVIO que a gente se sente muito mais empático por alguém que só come e não consegue emagrecer por nada do que por quem pegou uma anorexia (queridos, até eu, que pe-gay minha anorexia na época que isso nem moda era ainda (na época em que modelo era escrito com ph), me sinto exaurida só de pensar em deixar de comer), então a minha tarde estacionou até o fim no canal 19 junto aos casos de gurdura de família quando às cinco e meia desliguei a tevê para seguir a leitura no computador do e-book pirateado de as veias abertas da américa latina de siñor eduardo galeano.
porque hoje um tango argentino me cai BEM MELHOR que uma vanera!!
mas não, o inter, depois de eliminado do gauchão, da copa do brasil, da libertadores da américa e empunhando a lanterna do campeonato brasileiro neste mais enfático impossível 2007 conseguiu ganhar um título.
(...)
bom, mas isso não me importa, eu sempre fui muito mais anti-grêmio que inter disparado. o qui me empuerta é qui horre mis hermanos del boca juniors puédan enfiar los rabitos nel mejo de las pernitas de nuestros abichados conterráneos mosquetieros hasta luego en mi buenos aires querido, arriba!
12.6.07
DIA DOS NAMORADOS!
1) eu podia estar bancando quem eu comia ou
2) encontrava quem me bancasse pra eu comer com empenho.

e o vocativo não passaria nunca de gostosa (o “condicional”), porque pouco mais que isso soaria indisfarçavelmente falso. como você chama quem tá pagando o ninho de amor pra vcs? e como é que te chamam se você é quem proporciona a privacidade entre 4 paredes pros 2?
bem, “minha foda” me parece soar honesto o suficiente.
então eu, “a foda” (dependendo do ponto de vista que eu me encontre para a promoção do evento), um dia leio um livro que a minha foda tenha recomendado, noutro assisto um programinha de tevê na mesma hora que ela, aí um dia, num intervalo da bobeira em site de relacionamento deixo um recado para ela fazendo referência (/reverência) a isso (ah, este vasto mundo público em comum que nos acolhe num todo aconchegante!) e de repente quando vejo, BUM! : a minha foda vai parecer combinar em tudo comigo e estou, mais uma vez, voluntariamente perdida.
e a partir deste ponto crucial minha singela foda sofrerá uma mutação e converter-se-á ao meu bel-prazer em “justificativa”. (para o fracasso com minhas fodas anteriores). e todos sabemos que o relacionamento com uma justificativa é um dos tipos mais absurdamente satisfatórios e quentes que se tem notícia. à exceção, é claro, para a dita minha foda que encarna sem saber e do nada o tal papel de justificativa (o que, mais do que óbvio, NUNCA a fará corresponder às minhas doidas expectativas). pequeno detalhe este que contribui, infelizmente, para a brevíssima duração deste tipo de arranjo tão em voga hoje em dia e a uma primeira vista tão bacana.
(...)
ahhhh!!!! como assim???
(caralha! inclusive complexo de metenamina foi o que, confesso, assolou minha bem extensa adolescência orlandística (rs..)).
mas então, do começo.
mademoiselle xreca estes dias teve sua xereca e terminações anteriores do aparelho todas acometidas por uma crise braba de cistite e foi obrigada a tomar o tal remédio cujo sobrenome científico atende pela singela alcunha de “complexo de metenamina” (que eu ainda fiz o fav
e não preciso nem dizer que à descoberta ao acaso da composição do remédio um tanto quanto complexada e cabreira quem ficou fui eu, né.?. pff...
nunca tive crise de cistite, o mais próximo que já me aconteceu foi uma infecção urinária que, não é segredo, foi a responsável, à época, pelos únicos orgasmos vaginais que eu tive em toda minha imodesta vida passada de diletante a falos orgânicos.
fora a febre que ensopava meus lençóis já na fase final da infecção (mas que também me ajudaram a botar fácil 5 litros de banha em líquido que tavam - como sempre - me sobrando poro afora - yeah!), o início da pequena enfermidade foi acompanhado de idas idílicas ao banheiro lá do lugar em que eu passava minhas 8 horas úteis de pessoa útil àquela inocente e bucólica época. cada mijada (das que eu que eu dava: esclareço. as que eu levava não me proporcionariam, ainda, o prazer mórbido revelado uns tempos depois pela humilhação gratuita) me descia rasgando tudo devagar e quente e ardido e etc, aquelas coisas todas misteriosas que atiçam a curiosidade pelo incrível e desconhecido mundo de possibilidades que a gente guarda dentro da própria buceta. prodígio de alguma miraculosa bactéria que eu falhei em isolar, lástima.
xreca, porém, não parecia tão entusiasmada assim com a fritança bucetal a cada ida sua ao banheiro então foi providenciado o tal metenamina que, até o presente momento, foi eficaz o bastante. eficaz, a propósito, tanto linguística como profilaticamente, pelo menos até eu continuar mefazente e entusiasta (a contragosto-maxi, admito) da idéia de boa entendedora.
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11.6.07
logo, insisto.
os folhetos que procuravam proteger os lá possíveis usuários de substânciazinhas alteradoras de percepção pelas quais não se paga imposto (ou seja, as OFICIALMENTE NOCIVAS!) de transmissão de doenças (e se a estatística que é mostrada asséptica na tv contempla a informação de que grande parte do público da parada ganha mais de 10 salários mínimos (quase quatro milhas, portanto), não dá pra esquecer a ENORMIDADE de gente que por força da ocasião de ter nascido no berço do preconceito e hipocrisia se vê obrigado a “ser saído” de casa e se prostituir, se sujeitando na maioria das vezes a maus tratos de toda ordem, “marginalidade assistida” essa infelizmente prerrogativa à grande maioria dos tocados pela varinha do terceiro sexo neste mundo “NORMAL”(!!) que a gente sobrevive) acabaram NÃO SENDO distribuídos.
muito bem.
a data de 12 de junho é comercial. Ó infelicidade tamanha então, NÓS, GAYS, não termos sido mencionados em par em propagandas para lembrança no dia em que se comemora o [mito do] amor [romântico, cuspt!], né?
em resumo:
“FINALMENTE ENTREI NO TARGET DA BAIONETA DOS DEUSES SUPREMOS DA PUBLICIDADE, LOGO, EXISTO”.
concorda? discorda? pensa BEEEEM antes de argumentar e manda tua cartinha cá para a redação.
.
tem um episódio da terceira temporada do seriado lésbico americano do canal showtime, the L word, em que a jenny, personagem da mia kishner, fala para o max (personagem de dan
iela sea e que na série está fazendo a adaptação do seu corpo ao gênero que se sente mais afim, isto é, tomando testosterona, etcs), logo após ele ter dito a esta que estavam num clube tradicional e que não seria “adequado” duas gurias dançarem no salão (a jenny tava com uma peguete dela), esta cuspiu em ácido de volta que ele, max, não tapasse o sol com a aba do boné, porque até poderia ir pro meio das pessoas lá no salão e, num primeiro momento, ser considerado “um deles”. mas muito em seguida iria se tornar flagrante que ele não era igual àquelas pessoas, ele NUNCA PODERIA SER IGUAL ÀQUELAS PESSOAS.e amém.
.
rolam dúvidas animalescas na cabeça de todo mundo quando aparece uma banda (ou qualquer outra coisa que não seja nem cantante sozinho, nem em dupla, nem em banda: os meios ACEITÁVEIS pra PROPAGAÇÃO popular de música) com um som inclassificável, IMAGINA ENTÃO quando a coisa cai no terreno amoroso (que todo mundo SABE TUDO-TUDO desde pequenininho, né?? hmmmrruuum...).
.
ou, melhor:
se a publicidade não lembrar de mim, eu não existo.
se os amigos que reprimem meu modo de vida não lembrarem de mim, eu não existo.
se os pais que implodem as expectativas de ter um filho que viva para alguém de genitália oposta não lembrarem de mim, logo eu não existo.
e não existir não é problema (é problema pra vc? vc, existe???????????????????????? onde!??? bota um p.s. na cartinha lá de cima e me conta por favor!!). o problema todo é ter que atender quando te eufemizam com coisas totalmente equívocas.
o problema, é ter O QUE eufemizar pra não BAGUNÇAR as estruturas dessa palhaçada inacreditável que todos nós alçamos coniventemente com a boca cheia de dente ao cargo de NORMALIDADE.
factotuns....
FACTOTUM:
Ela se foi e eu fiquei bêbado por 3 dias e 3 noites. Quando fiquei sóbrio, soube que havia perdido o emprego.
---
- Olá? Me disseram que estavam precisando de repórteres.
- Por favor, preencha isso.
---
“O que quer?”
“Sim?”
“Sim.”
“Como repórter?”
“Não como repórter?”
“Hoje?”
“Certo. Obrigado.”
- Quem era?
- Eu tenho um emprego.
- Vou te arrumar.
----
- Peça ajuda se precisar do elevador. Temos orgulho dese cara. Se chama "Visão da Paz".
Por que me escolheram para fazer isso?
Por que não posso estar lá dentro escrevendo editoriais sobre a corrupção municipal? dar aos leitores a minha visão da paz. Questões como essas precisam de uma reflexão mais profunda.
---
- Superintendente Barnes. Quer uma cervejinha?
- Está despedido, Sr. Chinaski. Devolva o uniforme e esvazie o armário.
- Sim, senhor.
---
- É você, Hank?
- Sim, querida. Eu fui expulso. Me pegaram bebendo.
- E seu cheque?
- Engraçado. Nem mencionaram nada.
- Trabalhou quase um dia todo.Te devem o salário.
- Sim, é verdade.
- Vamos buscá-lo,quando abrirem.
- Beleza.
---
8.6.07
grrrl.
SEXTA-FEIRA NEGRA - david goodis
invernos da filadélfia eram simplesmente demais para ele. lembrou de um dia tão deplorável quanto um dia pode ser sem chuva ou neve, mas um dia frio e cinzento com a obscuridade suspensa sobre céus e ruas, e então decidiu que não precisava enfrentar aquele tipo de clima, mesmo que gostasse da atmosfera da universidade e das coisas que aprendia lá. portanto arrumou seus pertences e pegou um trem, usufruindo a luxúria que é cair fora de alguma coisa na qual não se tem mais interesse. mas agora não havia como cair fora, havia apenas fuga. e há uma enorme diferença entre cair fora e fugir.”SEXTA-FEIRA NEGRA - david goodis - p. 11 - l&pm
A PESTE - albert camus
os domingos e os sábados à noite, procurando, nos outros dias da semana, ganhar muito dinheiro. À tarde, quando saem dos escritórios, reúnem-se a uma hora fixa nos cafés, passeiam na mesma avenida ou instalam-se nas suas varandas. (...) Dirão sem dúvida que nada disso é característico de nossa cidade e que, em suma, todos os nossos contemporâneos são assim. Sem dúvida, nada há de mais natural, hoje em dia, do que ver as pessoas trabalharem de manhã à noite e optarem, em seguida, por perder nas cartas, no café e em tagarelices o tempo que lhes resta para viver. Mas há cidades e países em que as pessoas, de vez em quando, suspeitam que exista mais alguma coisa. Isso, em geral, não lhes modifica a vida. Simplesmente, houve a suspeita, o que já significa algo. Oran, pelo contrário, é uma cidade aparentemente sem suspeitas, quer dizer, uma cidade inteiramente moderna.Não é necessário, portanto, definir a maneira como se ama entre nós. Os homens e as mulheres ou se devoram rapidamente, no que se convencionou chamar ato de amor, ou se entregam a um longo hábito a dois. Isso tampouco é original. Em Oran, como no resto do mundo, por falta de tempo e de reflexão, somos obrigados a amar sem saber.”
p.8
*****
“Podia-se ver, por exemplo, os mais inteligentes fingirem procurar, como todos, nos jornais ou nas emissões radiofónicas, razões para acreditar num fim rápido da peste e conceberem, aparentemente, esperanças quiméricas ou sentirem receios sem fundamento ao ler considerações que um jornalista havia escrito um pouco ao acaso, bocejando de tédio. Os demais bebiam sua cerveja ou tratavam de seus doentes, preguiçavam ou se esgotavam, arquivavam fichas ou faziam girar discos sem se distinguirem muito uns dos outros. Em outras palavras: já não escolhiam nada. A peste suprimira os juízos de valor. E isso se via pela maneira como ninguém mais se ocupava da qualidade do vestuário ou dos alimentos que se compravam. Aceitava-se tudo em bloco.”
p.128
trechos do imprescindível A PESTE, do nobel de 57, albert camus.
6.6.07
te entendo perfeitamente, colega??? hehe...
trecho de 24 HORAS NA VIDA DE UMA MULHER, de stefan zweig, pela coleção l&pm pocket plus (a de 6 pila). e ainda precisa dum pedigree pra se animar a comprar? bom, então é melhor saber que este pequeno volume da autoria de zweig (que viveu e suicidou-se no brasil, a propósito) era um dos preferidos de mr. freud.
4.6.07
uma mala de garupa!
então o que que, logicamente, aconteceu?
fui devidamente CONVOCADA a entrar no dolorosíssimo contato com as demais pessoas que
só felicidade! (...)
bom, o que acabou me convencendo é que o ingresso era um quilo de alimento não perecível para ser destinado à apae.
travestida então como uma cebola, MILHÕES de camadas de roupas pra aventura de sair da porta pra fora, pus-me em marcha para o teatro não sem antes pegar um quilo de farinha que eu tinha no armário. não havia, porém, quilo de alimento pra que doutora eu-sou-do-sul pudesse levar, no que eu, muito cortesmente ofereci duas notas amassadas de dois reais para que ela pudesse comprar o tal quilo na venda mais próxima cá na favela de cocrete pinto.
dito e feito, comprado um quilo de açúcar e chegamos ao teatro municipal a exatos quarenta e nove minutos do suposto início oficial do show e precisas uma hora e trinta e sete minutos do início REAL do espetáculo. (af.)
a apresentação era do cantor cristiano quevedo (primo do pe. quevedo? coincidência que ambos no ecsisten! (rs.. ok, sorry, maldade, maldade)).
então o emocionante no decorrer daquelas canções todas que eu não conheço (mme xreca animadíssima, ai ai ai) eram sorteios de coisas pelo patrocinador do evento, as BOMBACHAS SHAMSA.
xreca me deu o seu ingresso de número 39 para que eu recebesse lá na frente, caso fosse sorteada. e empunhando o meu 40 e o 39 dela na hora dos intervalos para sorteio me acometia aquele sentimento misto de torcida positiva e de torcida negativa para o “pode ser que não seja eu pra não ter que ir receber”. a gente mesmo bloqueia a sorte.....
e não é que numa hora não me sai JUSTAMENTE o tal do 39?? caralha... levantar, ir lá na frente, receber e voltar, cegueta, olhando pras filas, pra não cagar na saída e ainda entrar na fila errada!?
o prêmio, uma excepcional MALA DE GARUPA (para usar em encilhamento de cavalos). nossa, GENIAL! inclusive o comentário de xreca, ante a minha perplexidade pela completa inutilidade do objeto, foi que “ah, mas cavalo é o DE MENOS pra conseguir”. o que acabou, confesso, me deixando um tanto cabreira.
não saio nunca, cada vez menos. aí saio do meu playstation num sábado antártico como o último, pra ver um show nativista e receber como prêmio uma mala de garupa. senhor!
inclusive receber um prêmio em cidade microscópica é AQUELE barato. todo mundo (que não recebeu prêmio) fica tentando “descobrir” quem é a pessoa que foi lá receber, aí então depois de algumas breves investigações mentais grande parte da massa em dúvida chega à conclusão que “ah, aquela é a guria do hugo e da marlene.. AQUEEEELA que trabalhou na caixa, AQUEEELA que trabalhou na votoran, te lembra?? é, AQUELA que quase morreu naquele acidente brabíssimo..! poisé, AQUEEELA que era casada com o fulano e que agora virou machorra! ahhhh tá!!!”.
o prazer é todo meu.
voltando então pra casa depois de manter ativa a minha pontuação de benefícios no funai card international, perguntei pra xreca o que que ela ia fazer com uma mala de garupa, afinal. falei que se ela quisesse trocar por uma bombacha que trocasse que eu a comprava.
no que a pessoa me fez o favor de lembrar que não poderia me vender nada porque no fim das contas a tal mala era minha!
“mas por que, uai??”
“ué, e o dinheiro pra comprar o açúcar não foi tu que deu??”
eeita!! entra a polêmica do bolão premiado que os amigos não pagaram no ar! se eu paguei o ingresso então o prêmio é meu??
não sei.. só sei que ando com esta (minha) mala de garupa sem rodinhas pra lá e pra cá até conseguir trocar por algo mais útil ou um cavalo para usar, o que vier primeiro.
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ANA CAROLÉSBICA BY PANICO NA TV
só que a disputa é entre a equipe masculina vs a feminina, sempre. QUAL NÃO FOI a minha surpresa quando eu vi que a equipe feminina era composta pela sabrina sato, a mulher-samambaia e...... quem poderia ser aquela criatura ENORME que tava ali??? era a ANA CAROLINA by panico na tv! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA....
eles são podres!!!!
(...)
“porra, amor, procura aí mas acho que não tem mais nada pra beber não. esvaziei tudo que tinha ontem”
“putz”
“acho que hoje tu vai ter que voltar pra rua pra comprar nosso gorózinho, em meu benzinho”
“putz... porra, nem domingo....?... foda, tou toda doída de ontem, more... sei lá...”
“cara, MAS QUE MERDA, porra.. bom, mas tu que sabe. tu sabe que quando eu bebo fico bem mais legal e não me dá vontade de te cagar a pau toda hora”
o quatro era o sinal!!!!!!!!!!!!!!!
tristíssimo, este eu ouvi ad nauseum nos meus baques vespertinos dos remédios pós-operatório em 2005.
e eu acho que o “recado” do fim já tava muito bem dado lá, a gente só não viu porque não quis.
o disco começa com uma canção do camelo (que leva 7 das 12 canções que compõem o 4).
“sobre estar só
eu sei
nos mares por onde andei
devagar
dedicou-se mais
o acaso a se esconder
e agora o amanhã cade?”
DOIS BARCOS.
se perceber, neste disco mais que nos outros, camelo enfatiza o seu “estar só” (sendo que quem criou o los hermanos, hm?).
nos mares onde ele(s) andou(aram) acabou todo o “acaso”, tudo é previsível (10 ano de banda..??)
e o amanhã, CADÊ?, pois o futuro que é moldado no presente, segue presente.
.
a canção seguinte é do ruivo amarante.
primeiro andar parece (e ainda enfatizo, dentro da minha ótica de fã deliberadamente ESPETACULADORA, “parece”) um puxão de orelha pro eterno reclamante camelo:
“não faz disso esse drama, essa dor!,
é que a sorte é preciso tirar pra ter,
perigo é eu me esconder (em você),
e quando eu vou voltar? ah, quem vai saber...
se alguém numa curva me convidar
eu vou lá
que andar, é reconhecer,
olhar.”
PRIMEIRO ANDAR
o que leva crer que “primeiro andar” seja um definidor de o que foi o LH pra carreira (ou vida) de rodrigo amarante.
tipo: “vamo acabar?” “tá! vamo!. (...) hm.. quer dizer...”
sabe?
a próxima é “fez-se mar”, de marcelo camelo.
“fez-se mar
senhora o meu penar
demora não, demora não,
vai ver o acaso entregou
alguém pra lhe dizer
o que qualquer dirá
parece que o amor chegou aí,
eu não estava lá, mas eu vi.”
FEZ-SE MAR
aí eu faço o link com “é de lágrima”, última canção do último disco do los hermanos, onde o camelo fala que
“é de lágrima que faço um mar pra navegar
vamo lá,
eu não vi, não, final,
sei que o daqui teimou de vir tenaz assim
feito passarim.”
É DE LÁGRIMA
né? é muito sofrimento nessa vida. é lua, meio do céu e do primeiro ao quinto saber a dor e a delícia de ser de peixes.
nisto, o meu amado e idolatrado camelo conflagra-se naquele tipo de pessoa que faz de tudo pra acabar o que acha que não merece e quando a coisa acaba de verdade, não sabe como agir.
.
a próxima, de amarante, é o primeiro respiro de algo “animadinho” pelo menos na méludia.
o discurso, porém.....
“ah, se eu agüento ouvir outro não
quem sabe um talvez, ou um sim,
eu mereço enfim
é que eu já sei de cor
qual o quê dos quais e poréns dos afins
pense bem
ou não pense assim!
(convivência, convivência, convivência!!!!)
(...)
ah, não me deixe aqui
o sereno dói, eu sei
me perdi
mas, ei, só me acho em ti!
que desfeita a intriga, o ó!,
um capricho essa rixa e mal,
do imbróglio que quiproquo
e disso, bem, fez-se esse nó
e desse engodo eu vi luzir
de longe o teu farol
minha ilha perdida é aí
o meu pôr-do-sol”.
então. soa MASTER essa canção a brigas de convivência, etc.
.
na seqüência dobradinha de amarante com a cantochística “os pássaros”
“eu, aflito e só
confuso sem
você por aqui
assim eu sonhei
mas isso eu não quis
que diferença?,
o dia se fez assim
há um conflito um nó
eu difuso enfim
os pássaros vêm
me levar aí
visitar o céu
e pra ver você
levantando o véu pra mim
(...)
eu não sei, eu não sei
se isso é você quem bate aí?
se pra eu te ver então
deixa eu dormir”
OS PÁSSAROS
AFEEE!!....
sei lá. eu palpito que esse vai ser o disco com menor número de solicitação de regravações dos hermanos. essa música explicita uma quebra de pratos, ainda que doída, definidamente irreversível.
.
aí na próxima o camelo esboçou um suspiro sutilíssimo de folga pra depressão mor na melodia de “morena”.
porém a tal “morena” soa como porto seguro pra fuga da situação que ele tá vivendo atualmente:
“é morena, tá tudo bem,
sereno é quem tem
a paz de estar em par com deus (===> SÓ!)
pode rir agora, que o fio da maldade
se enrola
pra nós todo o amor do mundo
pra eles o outro lado eu digo
malmequer, ninguém escapa ao peso de viver assim:
ser assim
eu não! prefiro, assim
com você, juntinho,
sem caber de imaginar,
até o fim raiar”
MORENA
se morena é a second life de camelo isso eu não sei. o que dá pra entender é que ele prefere estar em par com deus do que com os outros malmequeres...
e, (não por acaso?), esta morena cáustica é a melodia mais alegrinha de camelo no derradeiro álbum do grupo.
.
aí vem “o vento”, hit de amarante e que se afina bem com a intenção musical do ruivo nas 5 músicas que ele literalmente defende neste álbum:
“como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
não te dizer o que penso,
já é pensar em dizer
e isso eu vi
o vento leva
não sei mais, sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer
e isso por que?
se a gente já não sabe mais
rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar.
(...)
o vento vai dizer lento o que virá
e se chover demais a gente vai saber
claro de um trovão,
se alguém depois sorrir em paz,
(só de encontrar...).”
O VENTO
eita! o vento!, signo mais que emblemático de “varredura”, de fim.
e se um dia alguém vai sorrir em paz de se encontrar??
vai saber, lalaiá laiá...
.
bom, a melodia de horizonte distante encarna o que muito me apraz nos los hermanos e na música em geral. nela, marcelo camelo clama por um além do horizonte onde possa guiar “o olhar que não enxerga mais”.
e logo em seguida amarante aporta e provoca com a sua condicional:
“quis nunca te perder
tanto que demais via em tudo céu
quis de tudo o cais
dei-te pra ancorar
doces deletérios
e
quis ter os pés no chão
tanto eu abri mão
que hoje eu entendi
sonho não se dá
é botão de flor
o sabor do fel é de cortar
eu sei é um doce te amar
o amargo é querer-te pra mim
do que eu preciso é lembrar, e ver
antes de te ter e de ser teu
muito bem...
(...)
sei, tanto te soltei,
que você me quis em todo lugar
lia em cada olhar quanta intenção,
eu vivia preso!”
CONDICIONAL
amarante ancorou-se ao lh, abriu mão de muita coisa, mas enfim “sonho não se dá (porque) é botão de flor”.
e o eu “tanto te soltei que você me quis em todo lugar, lia em cada olhar quanta intenção eu vivia preso” atende pela alcunha de “orquestra imperial”? será!?????
hm...
.
após a condicional de amarante, camelo engata o seu sapato novo pra andar sozinho:
“poderia até pensar que foi tudo um sonho
ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou
até a beira
besteira qualquer nem choro mais
só levo a saudade, morena,
é tudo o que vale a pena”.
SAPATO NOVO
quase “chorando, se foi, quem um dia só me fez chorar...” AY CARAMBA!!
.
então camelo arremata com a POISÉ, pá de cal mais enfática impossível para qualquer situação:
“poisé, não deu
deixa assim, como está, sereno.
(...)
poisé, até onde o destino não previu”
POIS É.
e assim em 2007 finda los hermanos. com um álbum que já dizia tudo isso há 2 anos atrás e a gente não conseguiu, lá, se tocar da réiva intrínseca das criaturas.
.
e eu sigo, por razões particulares, ranqueando este álbum nas primeiras posições da minha lista de prediletos de todos os tempos.
UM SONHO AMERICANO - norman mailer
- você teve uma noite daquelas - comentou ela.
- não é a noite - respondi -, é a manhã que me espera.

- você está com medo das próximas horas?
- estou sempre com medo.
ela não riu. concordou.
- fui a um analista - disse-me.
- alguma razão especial?
- estava querendo me suicidar.
- acontece com as mulheres bonitas.
- foi pior.
- sei.
- você não acha que tem um momento em que é certo a pessoa se suicidar?
- talvez.
- como se fosse a última chance?
- me explique melhor.
- você já morou com os mortos? - perguntou-me isso com aquela sua cara prática de americana.
- não - falei -, não sei como é.
- bem, vivi com papai e mamãe na minha infância e eles estavam mortos. morreram quando eu tinha quatro anos e cinco meses de idade. em um acidente de automóvel. então vivi com um irmão e uma irmã mais velhos.
- eles foram bons?
- uma porra - exclamou cherry - , eram meio loucos. ela acendeu um cigarro. as olheiras sob seus olhos pareciam pretas de cansaço, o verde arroxeava nas bordas das pálpebras e ia empalidecendo ao longo da maçã do rosto até parecer um amarelo pisado. - quando se vive com os mortos se acaba entendendo que há um determinado dia em um determinado ano em que eles estão preparados para lhe dar as boas-vindas. é preciso aproveitar aquele dia. porque se não aproveitar, pode-se morrer em um dia em que ninguém esteja esperando e a gente fica vagando. é por isso que, quando chega o tal dia, o impulso é tão forte. eu sei. tive um dia assim. não aproveitei. procurei correndo um analista.”
UM SONHO AMERICANO - norman mailer - p. 126 - l&pm
livro dos sonhos publicáveis.
uma festa ao ar livre. e por acaso não tava crua na cachaça dessa vez. a última em que eu tinha enfiado o pé na jaca fora em novembro do ano passado. agora, em janeiro, eu tava muito relax só lendo meu livrinho na rua.
de repente me aparece um vermão em cima da página do livro. um troço do tamanho duma salsicha bock, só que dum rosa-carne-velha. mas vivo, mongolento.
sem cabeça aparente, pelo que pude apurar. tentei tirar da página pra não atrapalhar a leitura mas o bicho tava grudado. fui até a casa e chamei minha mãe, que jogou terra e sal e sei-lá-mais-o-que em cima das páginas. uns dos “vermes” caíram no chão e retomei a leitura.
algumas páginas a seguir me apareceram outros verminhos que pareciam filhotes dos primeiros.
catso. tá, abandonei o livro.
se é pra ser tão enfático assim...
***
chegando dentro da festa alguns conhecidos.
“obrigada, não tou bebendo hoje”.
ainda bem a sobriedade, porque logo muito a seguir,
tava vendo uma tevê ao ar livre também e do nada caçaram eu e uma amiga porque iam nos usar numa experiência, etc.
fomos pra uma sala estilo anos 40 com dois caras alemãos vestidos de branco, um mais velho e baixo e outro mais alto e careca, estilo aquele ator de correntes alucinantes. nos deram uns rolypnol rústicos da vida e o baixinho me mostrou dois supositórios brancos de uns dois centímetros cada que teria que me aplicar. o altão enfiou os supositórios com bastante creme branco no cú pequeno da letícia e saiu para lavar a mão. nesse instante o velho entregou na minha mãos os destinados ao meu cú e, não sem antes lambuzar meu dedo indicador da mão direita com a pasta branca, me falou pra ir rapidinho no banheiro ao lado e pôr eu mesma. que foi o que fiz.
enfiei um só que pelo volume de pasta escorregou um pouco de volta. enfiei o outro em seguida dando uma socadinha. tudo ok, ficou firme.
voltei pra salinha e preparei pra mim um uiscão que tava dando sopa em cima da mesa, com receio porém de me empedrar e perder o que de tão sensacional prometia vir por aí, assim que começasse a bater todos os comprimidinhos tomados por cima e por baixo. ah, mas foda-se. batizei o caubói com uma colher de mel e extingui o último gute-gute do copo menos de um segundo antes de o baixinho entrar na sala nos chamando (“as cobaias”) para o gran finale.
* * *
era uma garagem meio escura cheia de gente. nela, várias crianças vestidas de soldado e falando uma língua ininteligível e que, graças não sei se aos remédios ou ao uísque ou a minha capacidade de adaptação a situações esdrúxulas, entendi de pronto que eram de um outro planeta.
os alemãos trabalhavam pra eles, hmmm....
uma das crianças, que tava ao lado de outra com uma prancheta, atirou uma bola pra letícia (a essa altura já há muitas milhas de marrakesh) e esta chutou de volta. só que eu, curtida de guerra de todo tipo de alterador de percepção e ainda não tendo caído no efeito das pílulas, notei tratar-se de uma alucinação.
hmmm.........
logo em seguida, porém, já tava enxergando a bolinha azul jogada por aquela criança esquisitíssima estilo cemitério maldito, tendo como platéia várias outras crianças iguais àquela só que ali já acabei chutando a ’bola”e rindo horrores. foi só no que deu pra ouvir uma mulher adulta lá no meio filosofando que se eles permanecessem com experiências tão inocentes como estas o nosso mundo não estaria correndo perigo.
(...) quando eu estava chegando aos 30 anos, resolvi que tinha que formar uma banda para dar vazão a esse meu desejo”.
(juliette lewis mostrando em entrevista pra revista da mtv que nunquinha é tarde demais pra se tornar uma rockstar do mainstream internacional, deixando esperanças especialmente para as balzacas gostosíssimas que já fizeram trocentos filmes em hollywood).







